Hiperpotassemia Grave: Manejo Emergencial e Conduta

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2019

Enunciado

Paciente, 78 anos de idade, encontra-se internado no hospital para tratamento quimioterápico de neoplasia gástrica avançada. Após receber a última infusão do esquema antineoplásico, o paciente vem apresentando quadro de náuseas, vômitos e hiporexia . Previamente hipertenso, diabético e portador de dor crônica, faz uso de metformina 850 mg. duas vezes ao dia, enalapril 20 mg de 12/12 horas e tramadol 100 mg de 6/6 horas. Os exames colhidos revelaram: creatinina sérica = 2,1 mg/dL; Uréia = 116 mg/dL; sódio = 146 mEq/L e potássio = 6,8 mEq/L. O eletrocardiograma é alterado pelo apiculamento e desproporção da onda T em relação ao QRS. Ao exame físico evidencia-se pressão arterial 96x55 mmHg, ausência de alterações na ausculta cardíaca e pulmonar, abdome globoso e hipertimpânico, com redução dos ruídos hidroaéreos e ausência de edema nos membros inferiores. Além da suspensão do enalapril, o manejo da hiperpotassemia desse paciente deverá incluir:

Alternativas

  1. A) Poliestirenossulfonato de cálcio, gluconato de cálcio endovenoso, fludrocortisona e solução de glico-insulina.
  2. B) gluconato de cálcio endovenoso, poliestirenossulfonato de cálcio, solução de glico- insulina e furosemida.
  3. C) hemodiálise e bicarbonato de sódio.
  4. D)  hemodiálise, gluconato de cálcio endovenoso, bicarbonato de sódio e solução de glico-insulina.
  5. E) gluconato de cálcio, hidratação endovenosa, solução de glico-insulina e inalação do beta-agonista.

Pérola Clínica

Hiperpotassemia grave com ECG alterado → Gluconato de cálcio + Glico-insulina + Beta-agonista + Hidratação IV (se IRA/hipotensão).

Resumo-Chave

O paciente apresenta hiperpotassemia grave (K=6,8 mEq/L) com alterações eletrocardiográficas (onda T apiculada), indicando necessidade de tratamento emergencial. O manejo inclui estabilização da membrana cardíaca com gluconato de cálcio, deslocamento do potássio para o intracelular com glico-insulina e beta-agonistas, e hidratação intravenosa para a insuficiência renal aguda e hipotensão.

Contexto Educacional

A hiperpotassemia é uma emergência médica que pode levar a arritmias cardíacas fatais, especialmente quando os níveis séricos de potássio são > 6,5 mEq/L ou há alterações eletrocardiográficas. O paciente em questão apresenta um quadro grave, com potássio de 6,8 mEq/L e ondas T apiculadas no ECG, além de insuficiência renal aguda (creatinina 2,1 mg/dL) e hipotensão, exacerbada pelo uso de enalapril e metformina. O manejo da hiperpotassemia grave deve ser imediato e sequencial. A primeira medida é a estabilização da membrana cardíaca com gluconato de cálcio intravenoso, que age rapidamente para proteger o miocárdio. Em seguida, são utilizadas terapias que promovem o deslocamento do potássio do espaço extracelular para o intracelular, como a solução de glico-insulina e os beta-agonistas inalatórios (salbutamol). Além dessas medidas, é crucial considerar a remoção do potássio do organismo. Diuréticos de alça (como furosemida) podem ser usados se houver função renal residual e euvolemia. Resinas de troca iônica (como poliestirenossulfonato de cálcio) atuam no trato gastrointestinal. Em pacientes com insuficiência renal aguda grave ou hiperpotassemia refratária, a hemodiálise é a opção mais eficaz para a remoção rápida do potássio. A hidratação intravenosa é importante para otimizar a função renal e corrigir a hipotensão, contribuindo para a excreção de potássio.

Perguntas Frequentes

Quais são as alterações eletrocardiográficas da hiperpotassemia?

As alterações progridem de ondas T apiculadas e estreitamento do QRS, para prolongamento do intervalo PR, achatamento da onda P, e finalmente, alargamento do QRS com padrão sinusoidal, podendo evoluir para fibrilação ventricular ou assistolia.

Qual a função do gluconato de cálcio no tratamento da hiperpotassemia?

O gluconato de cálcio não reduz os níveis séricos de potássio, mas estabiliza a membrana miocárdica, antagonizando os efeitos cardíacos do potássio elevado e prevenindo arritmias fatais. É a primeira medida em hiperpotassemia grave com ECG alterado.

Quais são as opções para remover o potássio do organismo?

As opções incluem diuréticos de alça (como furosemida), resinas de troca iônica (como poliestirenossulfonato de cálcio) e, em casos refratários ou de insuficiência renal grave, a hemodiálise.

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