Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Homem, 22 anos, vítima de queimadura em tórax, abdome e parte dos membros superiores, com superfície corpórea queimada de 52%, internado na UTI há 3 dias. Apesar da reposição volêmica, vem evoluindo com baixa diurese e valores crescentes de creatinina. Realizado ECG que é mostrado a seguir. Qual o diagnóstico?
Queimadura grave + IRA + baixa diurese + creatinina ↑ + ECG com ondas T apiculadas = Hiperpotassemia.
Pacientes com queimaduras graves têm alto risco de lesão renal aguda devido à rabdomiólise e hipovolemia, o que pode levar à hiperpotassemia. A hiperpotassemia é uma emergência médica que se manifesta no ECG com ondas T apiculadas e estreitamento do QRS, exigindo intervenção imediata para prevenir arritmias fatais.
Pacientes vítimas de queimaduras graves são um grupo de alto risco para diversas complicações sistêmicas, incluindo distúrbios eletrolíticos e lesão renal aguda (LRA). A extensão da lesão tecidual e a resposta inflamatória sistêmica podem levar à rabdomiólise, com liberação massiva de potássio intracelular, e à hipovolemia, que predispõe à LRA. A compreensão dessas interações é crucial para o manejo em unidades de terapia intensiva. A hiperpotassemia é uma emergência eletrolítica que pode ser fatal devido aos seus efeitos na excitabilidade cardíaca. No eletrocardiograma (ECG), a hiperpotassemia se manifesta progressivamente, começando com ondas T apiculadas e simétricas, seguidas por prolongamento do PR, alargamento do QRS, desaparecimento da onda P e, em estágios avançados, um padrão sinusoidal que precede a assistolia. O caso clínico descrito, com baixa diurese e creatinina crescente, aponta para LRA, um fator de risco importante para hiperpotassemia. O diagnóstico precoce da hiperpotassemia através do ECG e dos exames laboratoriais é vital. O tratamento deve ser iniciado imediatamente, visando estabilizar a membrana cardíaca (gluconato de cálcio), promover a redistribuição do potássio para o compartimento intracelular (insulina com glicose, beta-agonistas) e remover o excesso de potássio do organismo (diuréticos, resinas de troca iônica, diálise). A falha em reconhecer e tratar prontamente pode levar a arritmias cardíacas graves e morte.
Os achados clássicos incluem ondas T apiculadas, estreitamento do complexo QRS, prolongamento do intervalo PR e, em casos graves, desaparecimento da onda P e padrão sinusoidal.
Pacientes queimados podem desenvolver rabdomiólise devido à lesão muscular extensa, liberando potássio intracelular para a circulação. Além disso, a lesão renal aguda, comum nesses pacientes, impede a excreção adequada de potássio.
A conduta inicial inclui estabilização da membrana cardíaca com gluconato de cálcio, redistribuição do potássio para o intracelular (insulina + glicose, beta-agonistas) e remoção do potássio do corpo (diuréticos, resinas de troca, diálise).
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