IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2020
Paciente com 33 anos, portador de insuficiência renal crônica, sem indicação dialítica, evoluindo com hiperpotassemia. O K+ sérico apresenta 6,5 mmol/ml (VR. 3,5-5,5 mmol/ml). O eletrocardiograma não evidenciou anormalidades. Qual das seguintes alternativas é a mais efetiva para redução dos níveis séricos de potássio?
Hiperpotassemia (K+ 6,5 mmol/ml) sem ECG alterado → Insulina regular + glicose para redistribuição.
A insulina regular, administrada com glicose para evitar hipoglicemia, é uma das medidas mais eficazes para o tratamento agudo da hiperpotassemia, pois promove o deslocamento do potássio do espaço extracelular para o intracelular. Embora não remova o potássio do corpo, ela rapidamente reduz os níveis séricos.
A hiperpotassemia é uma emergência médica que pode levar a arritmias cardíacas fatais, especialmente em pacientes com insuficiência renal crônica (IRC), onde a capacidade de excreção de potássio está comprometida. A gravidade da hiperpotassemia é avaliada tanto pelos níveis séricos de potássio quanto pela presença de alterações eletrocardiográficas (ECG), como ondas T apiculadas, prolongamento do PR, alargamento do QRS e, em casos graves, fibrilação ventricular ou assistolia. O manejo inicial visa estabilizar o miocárdio, redistribuir o potássio para o intracelular e, finalmente, remover o excesso de potássio do corpo. Neste cenário, com K+ de 6,5 mmol/ml e sem alterações no ECG, a prioridade é a redistribuição rápida do potássio. A insulina regular, administrada concomitantemente com glicose (para prevenir hipoglicemia), é a medida mais eficaz para esse fim. Ela estimula a bomba Na+/K+-ATPase, deslocando o potássio para dentro das células. Outras opções para redistribuição incluem beta-agonistas (salbutamol) e bicarbonato de sódio (especialmente em acidose metabólica). O gluconato de cálcio, embora importante, apenas estabiliza a membrana cardíaca e não reduz o potássio sérico. Para a remoção do potássio do corpo, que é o tratamento definitivo, utilizam-se resinas de troca iônica (como o poliestireno sulfonato de sódio) ou diálise (hemodiálise ou diálise peritoneal) em casos de hiperpotassemia grave, refratária ou na presença de insuficiência renal avançada. A escolha da terapia depende da gravidade, da presença de alterações no ECG e da função renal do paciente. É crucial que residentes compreendam a diferença entre as terapias de redistribuição e as de remoção para um manejo adequado da hiperpotassemia.
A insulina estimula a bomba Na+/K+-ATPase nas células, promovendo a entrada de potássio do espaço extracelular para o intracelular, reduzindo rapidamente os níveis séricos.
O gluconato de cálcio é indicado para estabilizar o miocárdio e proteger contra arritmias cardíacas em casos de hiperpotassemia com alterações eletrocardiográficas, mas não reduz o potássio sérico.
Para remoção efetiva de potássio, utilizam-se resinas de troca iônica (como poliestireno sulfonato de sódio) ou diálise, que são medidas mais lentas ou invasivas, respectivamente.
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