Tratamento Inicial da Hiperplasia Prostática Benigna (HPB)

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Sr. Antônio, 68 anos, procura atendimento médico com queixa de redução da força do jato urinário, hesitação miccional e sensação de esvaziamento incompleto da bexiga há cerca de 10 meses. Relata ainda que acorda três vezes por noite para urinar, o que tem prejudicado sua qualidade de sono. Ao exame físico, o toque retal revela uma próstata aumentada de volume, estimada em 45 gramas, com consistência fibroelástica, superfície lisa, sulco mediano preservado e sem nódulos palpáveis. Os exames laboratoriais mostram um PSA de 1,6 ng/dL e creatinina de 0,8 mg/dL. Com base na principal hipótese diagnóstica e no manejo terapêutico inicial para este quadro, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) A finasterida é o medicamento de escolha para o alívio imediato dos sintomas, pois promove a redução rápida do volume prostático através da inibição da conversão da testosterona em di-hidrotestosterona.
  2. B) Os antagonistas alfa-1 adrenérgicos, como a tansulosina, agem promovendo o relaxamento da musculatura lisa do colo vesical e do estroma prostático, sendo eficazes no alívio rápido dos sintomas obstrutivos.
  3. C) A ressecção transuretral da próstata (RTUp) deve ser indicada de imediato para este paciente, considerando que o volume prostático é superior a 40 gramas e o paciente apresenta sintomas obstrutivos importantes.
  4. D) O uso isolado de anticolinérgicos, como a oxibutinina, é a conduta inicial mais segura para tratar a nocturia e a polaciúria relatadas, sem risco de indução de retenção urinária aguda.

Pérola Clínica

Sintomas obstrutivos na HPB → Alfa-bloqueadores (alívio rápido). 5-alfa-redutase → Redução de volume (longo prazo).

Resumo-Chave

Os alfa-bloqueadores relaxam a musculatura lisa prostática e do colo vesical, oferecendo alívio sintomático em dias, enquanto os inibidores da 5-alfa-redutase levam meses para reduzir o volume glandular.

Contexto Educacional

A Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) é a causa mais comum de LUTS em homens idosos. A fisiopatologia envolve um componente estático (crescimento glandular) e um componente dinâmico (tônus da musculatura lisa). O diagnóstico é essencialmente clínico, apoiado pelo toque retal e PSA para triagem de malignidade. O tratamento inicial visa o alívio dos sintomas e a melhora da qualidade de vida. Os alfa-bloqueadores (como tansulosina e doxazosina) são a primeira linha para alívio rápido. Em pacientes com próstatas volumosas, a adição de inibidores da 5-alfa-redutase ajuda a modificar a história natural da doença, reduzindo o risco de complicações futuras.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença de tempo de ação entre tansulosina e finasterida?

A tansulosina é um alfa-bloqueador que atua relaxando a musculatura lisa do estroma prostático e do colo vesical, proporcionando melhora do fluxo urinário e alívio dos sintomas obstrutivos em um curto período, geralmente entre 48 a 72 horas após o início do uso. Já a finasterida é um inibidor da enzima 5-alfa-redutase que bloqueia a conversão de testosterona em di-hidrotestosterona (DHT); ela atua reduzindo o volume real da próstata em cerca de 20-25%, mas esse efeito clínico e a melhora do jato urinário geralmente demoram de 6 a 12 meses para serem plenamente percebidos pelo paciente, não sendo útil para alívio imediato.

Quando indicar a terapia combinada na HPB?

A terapia combinada, utilizando um alfa-bloqueador associado a um inibidor da 5-alfa-redutase, é indicada para pacientes com sintomas moderados a graves que apresentam próstatas aumentadas (geralmente com volume superior a 30-40g) ou níveis de PSA acima de 1,5 ng/mL. Essa associação é estratégica porque o alfa-bloqueador trata o componente dinâmico (tônus muscular) oferecendo alívio rápido, enquanto o inibidor da 5-alfa-redutase trata o componente estático (crescimento glandular). Estudos como o MTOPS e CombAT demonstraram que essa combinação reduz significativamente o risco de progressão da doença, episódios de retenção urinária aguda e a necessidade de intervenção cirúrgica futura.

Quais são as indicações absolutas de cirurgia (RTUp) na HPB?

As indicações cirúrgicas para a Hiperplasia Prostática Benigna não dependem apenas do tamanho da próstata, mas sim das complicações da obstrução. As indicações clássicas incluem: retenção urinária aguda refratária a tentativas de retirada de sonda, infecções urinárias de repetição secundárias ao esvaziamento incompleto, hematúria macroscópica persistente de origem prostática, presença de cálculos vesicais formados por estase urinária, e o desenvolvimento de insuficiência renal pós-renal (hidronefrose bilateral). Além disso, a falha do tratamento medicamentoso otimizado ou o desejo do paciente de interromper a medicação devido a efeitos colaterais também podem fundamentar a indicação da Ressecção Transuretral da Próstata (RTUp).

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