UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2019
Homem de 60 anos apresenta dificuldade para esvaziar a bexiga, com esforço miccional e jato urinário fraco, principalmente pela manhã, com piora progressiva nos últimos dois anos. Nega noctúria, disúria, hematúria, retenção e/ou infecção urinária. AF: pai operado por câncer de próstata. Exame digital da próstata: aumentada, estimada em 40 g, sem nodulações. A hipótese diagnóstica mais provável e o(s) exame(s) complementar(es) indicado(s) é (são):
Homem > 50a, STUI obstrutivos (jato fraco, esforço) + próstata aumentada sem nódulos → HPB. Exames: PSA e urofluxometria.
O quadro clínico de um homem idoso com sintomas obstrutivos do trato urinário inferior (STUI), como jato fraco e esforço miccional, associado a um exame de toque retal que revela próstata aumentada e sem nodulações, é altamente sugestivo de Hiperplasia Prostática Benigna (HPB). A investigação inicial inclui PSA para rastreio de câncer de próstata e urofluxometria para avaliar o fluxo urinário.
A Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) é uma condição comum em homens idosos, caracterizada pelo aumento benigno da próstata, que pode levar a sintomas do trato urinário inferior (STUI). A prevalência aumenta com a idade, afetando mais de 50% dos homens acima de 60 anos. É crucial diferenciar a HPB de outras condições prostáticas, como o câncer de próstata. O quadro clínico da HPB tipicamente envolve sintomas obstrutivos, como dificuldade para iniciar a micção (hesitação), jato urinário fraco e intermitente, esforço miccional e sensação de esvaziamento incompleto da bexiga. Sintomas irritativos, como noctúria, frequência e urgência, também podem estar presentes. O exame digital retal (EDR) revela uma próstata aumentada de forma simétrica, com consistência elástica e sem nodulações suspeitas. O diagnóstico da HPB é clínico, complementado por exames como o Antígeno Prostático Específico (PSA) para rastreio de câncer de próstata (especialmente com histórico familiar) e a urofluxometria para avaliar a gravidade da obstrução. Outros exames podem incluir ultrassonografia do trato urinário para avaliar o volume prostático e o resíduo pós-miccional. O tratamento varia de observação e mudanças de estilo de vida a medicamentos (alfa-bloqueadores, inibidores da 5-alfa-redutase) e, em casos selecionados, cirurgia.
Os sintomas da HPB são divididos em obstrutivos (jato fraco, hesitação, esforço miccional, gotejamento pós-miccional, esvaziamento incompleto) e irritativos (frequência urinária, noctúria, urgência).
O PSA (Antígeno Prostático Específico) é um marcador que pode estar elevado tanto na HPB quanto no câncer de próstata. Ele é usado para rastreio e acompanhamento, mas não é diagnóstico definitivo de câncer, exigindo interpretação conjunta com o toque retal e outros fatores.
A urofluxometria é um exame simples e não invasivo que mede a taxa de fluxo urinário. Ela ajuda a quantificar o grau de obstrução do fluxo urinário causado pela HPB, auxiliando na decisão terapêutica e no monitoramento da resposta ao tratamento.
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