HPB com Insuficiência Renal: Conduta e Tratamento Cirúrgico

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2015

Enunciado

Homem, 59 anos, vai ao ambulatório de urologia com queixa de intensos sintomas urinários de esvaziamento há aproximadamente 2 anos, que vêm piorando progressivamente. Tem história de 2 prostatites agudas e 1 orquiepididimite no período e 3 episódios de hematúria macroscópica nos últimos 6 meses. Ao exame físico encontra se afebril, com globo vesical palpável e toque retal com próstata aumentada, fibroelástica, lisa, sem nódulos e com sulcos e limites bem definidos. Traz exames laboratoriais, sendo relevantes: Urina I com 14.000 leucócitos = 10.000 hemácias, Urocultura negativa e PSA = 2,2 ng/ml, Creatinina = 2,4 mg/dl e ureia = 76 mg/dl. Na ultrassonografia identifica-se próstata de 66 g, bexiga com paredes espessadas e com trabeculações, sem lesões vegetantes, dilatação ureteropielocalicial bilateral moderada e resíduo pós-miccional de 230 ml. Qual a conduta apropriada?

Alternativas

  1. A) Biópsia de próstata guiada por ultrassonografia transretal.
  2. B) Tomografia sem contraste para investigar litíase.
  3. C) Tratamento clínico com alfabloqueador e inibidor da 5-alfarredutase.
  4. D) Sondagem de alívio.
  5. E) Sondagem de demora e programar tratamento cirúrgico.

Pérola Clínica

HPB com insuficiência renal obstrutiva e resíduo pós-miccional elevado → sondagem de demora e cirurgia.

Resumo-Chave

Em pacientes com Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) que apresentam sintomas obstrutivos graves, resíduo pós-miccional elevado e, crucialmente, insuficiência renal obstrutiva com dilatação ureteropielocalicial, a conduta imediata é a desobstrução da via urinária com sondagem de demora, seguida de planejamento para tratamento cirúrgico definitivo da HPB.

Contexto Educacional

A Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) é uma condição comum em homens idosos, caracterizada pelo crescimento da próstata que pode levar a sintomas do trato urinário inferior (STUI), tanto obstrutivos quanto irritativos. Embora o tratamento inicial seja frequentemente clínico com alfabloqueadores e inibidores da 5-alfarredutase, a HPB pode evoluir com complicações que exigem intervenção mais agressiva. No caso apresentado, o paciente exibe um quadro de HPB avançada e complicada. Os sintomas urinários de esvaziamento progressivos, as infecções urinárias de repetição (prostatites, orquiepididimite), a hematúria macroscópica e a presença de globo vesical palpável já indicam uma obstrução significativa. No entanto, o achado mais crítico é a insuficiência renal obstrutiva (creatinina e ureia elevadas) associada à dilatação ureteropielocalicial bilateral e resíduo pós-miccional elevado (230 ml). Isso configura uma uropatia obstrutiva grave que compromete a função renal. Diante da insuficiência renal obstrutiva, a prioridade é a desobstrução imediata da via urinária. A sondagem vesical de demora é a conduta mais apropriada para aliviar a obstrução, permitir a drenagem da urina e a recuperação da função renal. Após a estabilização do paciente e a melhora da função renal, o tratamento cirúrgico da HPB (como a ressecção transuretral da próstata - RTUP ou prostatectomia aberta, dependendo do volume prostático) deve ser programado para resolver a causa subjacente da obstrução e prevenir futuras complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para complicações graves da HPB?

Sinais de alerta para complicações graves da HPB incluem sintomas urinários obstrutivos progressivos, episódios de hematúria macroscópica, infecções urinárias de repetição (prostatites, orquiepididimites), globo vesical palpável, resíduo pós-miccional elevado e, principalmente, elevação da creatinina e ureia, indicando insuficiência renal obstrutiva.

Por que a sondagem de demora é a conduta inicial na HPB complicada com insuficiência renal?

A sondagem de demora é a conduta inicial porque a insuficiência renal obstrutiva é uma emergência urológica que requer desobstrução imediata da via urinária. A sonda alivia a pressão na bexiga e nos ureteres, permitindo a recuperação da função renal e estabilizando o paciente antes de um tratamento definitivo.

Quando o tratamento cirúrgico da HPB é indicado?

O tratamento cirúrgico da HPB é indicado quando há falha do tratamento clínico, complicações como retenção urinária refratária, infecções urinárias de repetição, hematúria macroscópica persistente, litíase vesical, divertículos vesicais ou, como neste caso, insuficiência renal obstrutiva devido à obstrução da saída da bexiga.

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