Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2024
Homem, 73 anos, procura atendimento médico com quadro de diminuição do jato urinário há cerca de um ano, associado a piora da nictúria (vai ao banheiro 3 vezes/noite), e sensação de urgência miccional. Há uma semana teve dois episódios de hematúria, com resolução espontânea. Refere já ter feito ressecção transuretral de próstata há cerca de 8 anos. É hipertenso e diabético, fazendo uso de losartana 50 mg/dia e metformina 500 mg antes do almoço e jantar. Considerando o tratamento para os sintomas apresentados, qual das seguintes condições CONTRAINDICA o tratamento clínico?
Hematúria macroscópica recorrente em HPB → contraindica tratamento clínico, indica investigação e possível cirurgia.
A hematúria macroscópica recorrente é uma complicação da Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) que contraindica o tratamento clínico e exige investigação para descartar outras causas e considerar intervenção cirúrgica. Sintomas acentuados, embora incômodos, não são uma contraindicação absoluta ao tratamento clínico.
A Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) é uma condição comum em homens idosos, caracterizada pelo aumento benigno da próstata que pode levar a sintomas do trato urinário inferior (STUI), como diminuição do jato urinário, nictúria e urgência miccional. Para residentes, é fundamental compreender que, embora a maioria dos casos possa ser manejada clinicamente, existem situações em que a intervenção cirúrgica é imperativa. O tratamento clínico da HPB, com alfa-bloqueadores e/ou inibidores da 5-alfa-redutase, é eficaz para muitos pacientes. No entanto, certas condições contraindicam o tratamento conservador e indicam a necessidade de avaliação para cirurgia. As contraindicações absolutas incluem retenção urinária refratária, insuficiência renal obstrutiva secundária à HPB, infecções urinárias de repetição, cálculos vesicais e, crucialmente, hematúria macroscópica recorrente ou refratária. No caso apresentado, a hematúria, mesmo que com resolução espontânea, é um sinal de alerta. A presença de hematúria exige uma investigação completa para excluir outras causas, como neoplasias do trato urinário, e pode indicar a necessidade de uma intervenção mais definitiva para a HPB, como a ressecção transuretral de próstata (RTU-P), mesmo que o paciente já tenha sido submetido a este procedimento anteriormente. Hipertensão, diabetes e sintomas acentuados são fatores a serem considerados no manejo, mas não contraindicam o tratamento clínico por si só, a menos que levem a complicações.
As indicações para tratamento cirúrgico incluem complicações da HPB, como retenção urinária refratária, insuficiência renal obstrutiva, infecções urinárias de repetição, cálculos vesicais, divertículos vesicais grandes e hematúria macroscópica recorrente ou refratária ao tratamento clínico.
A hematúria macroscópica, especialmente se recorrente e sem outra causa identificável, pode ser um sinal de complicações da HPB ou de outras patologias urológicas mais graves, como câncer de bexiga ou próstata. Nesses casos, a investigação diagnóstica e a intervenção cirúrgica são prioritárias.
O tratamento clínico da HPB inclui alfa-bloqueadores (ex: tansulosina) para relaxar a musculatura lisa da próstata e bexiga, e inibidores da 5-alfa-redutase (ex: finasterida) para reduzir o volume prostático. A escolha depende da gravidade dos sintomas e do volume da próstata.
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