HPB: Avaliação e Conduta em Pacientes com Sintomas Leves

USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019

Enunciado

Homem de 67 anos comparece em ambulatório médico de especialidade para avaliação prostática de rotina por recomendação do filho enfermeiro. História clínica evidência sintomas do trato urinário inferior de armazenamento e esvaziamento com Escore Internacional de Sintomas Prostáticos = 6 (IPSS=6) e qualidade de vida = 5. Nega outras patologias associadas e/ou uso de medicamento.Exame digital retal da próstata identifica próstata de aproximadamente 120cm3, com sulco mediano e laterais preservados, consistência parenquimatosa e sem nódulos. Trouxe exame de PSA total = 2,8ng/ml e PSA livre = 0,7ng/ml, urina rotina dentro dos limites da normalidade e creatinina=1,0mg/dl.Considerando quadro do paciente descrito, qual a melhor conduta a ser oferecida?

Alternativas

  1. A) Propor cirurgia prostática para hiperplasia prostática benigna por via aberta.
  2. B) Propor cirurgia prostática para hiperplasia prostática benigna por técnica minimamente invasiva (RTU de próstata).
  3. C) Propor tratamento farmacológico com alfa-bloqueador e inibidor da 5 alfa-redutase.
  4. D) Propor retorno em 1 ano para reavaliação prostática.

Pérola Clínica

HPB com IPSS=6 (sintomas leves), próstata 120cm3, PSA 2,8/0,7 → conduta expectante com reavaliação anual.

Resumo-Chave

O paciente apresenta sintomas leves de HPB (IPSS=6) e próstata aumentada, mas sem complicações ou indicação cirúrgica imediata. A conduta inicial para HPB com sintomas leves e sem complicações é a observação e reavaliação periódica.

Contexto Educacional

A Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) é uma condição comum em homens idosos, caracterizada pelo aumento benigno da próstata, que pode levar a sintomas do trato urinário inferior (STUI). A avaliação inicial envolve a história clínica, o Escore Internacional de Sintomas Prostáticos (IPSS), o exame digital retal (EDR) e a dosagem do PSA. O IPSS classifica os sintomas em leves (0-7), moderados (8-19) e graves (20-35), sendo crucial para guiar a conduta. Para pacientes com sintomas leves de HPB, a conduta mais adequada é a observação vigilante (watchful waiting). Isso implica em reavaliações periódicas para monitorar a progressão dos sintomas e a qualidade de vida, sem intervenção imediata. O tratamento farmacológico, com alfa-bloqueadores ou inibidores da 5-alfa-redutase, é reservado para sintomas moderados a graves ou para aqueles com risco de progressão. A indicação cirúrgica, como a ressecção transuretral da próstata (RTU) ou cirurgia aberta, é considerada para pacientes com sintomas refratários ao tratamento clínico, complicações (retenção urinária, infecções recorrentes, litíase vesical, insuficiência renal) ou próstatas muito volumosas. É fundamental que o residente saiba diferenciar os estágios da doença e aplicar a conduta correta, evitando tratamentos desnecessários em casos leves.

Perguntas Frequentes

Quando a observação vigilante é a melhor conduta para HPB?

A observação vigilante é a conduta inicial para pacientes com Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) que apresentam sintomas leves (IPSS < 8), sem complicações como retenção urinária aguda, infecções urinárias recorrentes ou insuficiência renal.

Quais são os critérios para iniciar tratamento farmacológico na HPB?

O tratamento farmacológico para HPB é indicado para pacientes com sintomas moderados a graves (IPSS ≥ 8), que impactam a qualidade de vida, ou para aqueles com próstata aumentada e risco de progressão da doença.

Qual a importância do PSA total e livre na avaliação da HPB?

O PSA total e livre são utilizados para rastreamento de câncer de próstata e para auxiliar na avaliação da HPB. A relação PSA livre/total pode ajudar a diferenciar HPB de câncer, embora não seja diagnóstica por si só.

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