UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2024
Homem, 56a, procura Unidade Básica de Saúde com queixa de dificuldade para iniciar micção há oito meses, com piora no último mês. Refere que o jato urinário está mais fraco, mesmo com esforço, e que apresenta gotejamento ao final da micção, além de aumento do número de micções noturnas. Toque retal: próstata fibroelástica, cerca de 45g. PSA total=4ng/mL, PSA livre=0,88ng/mL. CONSIDERANDO A PRINCIPAL HIPÓTESE DIAGNÓSTICA, A CONDUTA INICIAL É:
HPB: sintomas obstrutivos/irritativos + próstata aumentada ao toque + PSA para rastreio CA de próstata.
A Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) é a principal hipótese diagnóstica para homens >50 anos com sintomas urinários obstrutivos e irritativos. O toque retal e o PSA são essenciais para o diagnóstico diferencial com câncer de próstata, e a conduta inicial é geralmente medicamentosa.
A Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) é uma condição comum em homens idosos, caracterizada pelo aumento benigno da próstata, que pode levar a sintomas do trato urinário inferior (STUI). Sua prevalência aumenta com a idade, afetando cerca de 50% dos homens na sexta década de vida e até 90% na nona década. É crucial para o residente saber diferenciar a HPB de outras patologias prostáticas, como o câncer de próstata, devido à similaridade dos sintomas e à importância do rastreamento. O manejo adequado da HPB visa aliviar os sintomas e prevenir complicações, melhorando a qualidade de vida do paciente. O diagnóstico da HPB baseia-se na história clínica (sintomas obstrutivos e irritativos), exame físico (toque retal para avaliar tamanho e consistência da próstata) e exames laboratoriais (PSA total e livre). A relação PSA livre/total é um indicador importante para auxiliar na decisão de biópsia prostática. A fisiopatologia envolve o crescimento glandular e estromal da próstata, influenciado por hormônios sexuais, que comprime a uretra e obstrui o fluxo urinário. É fundamental suspeitar de HPB em homens acima de 50 anos com queixas urinárias progressivas. O tratamento da HPB pode ser clínico ou cirúrgico. A primeira linha de tratamento é medicamentosa, utilizando alfa-bloqueadores (ex: tansulosina, doxazosina) para relaxar a musculatura lisa e inibidores da 5-alfa-redutase (ex: finasterida, dutasterida) para reduzir o volume prostático. A escolha depende do volume prostático e da gravidade dos sintomas. A cirurgia (ex: ressecção transuretral da próstata - RTUP) é reservada para casos refratários ao tratamento clínico, com complicações ou sintomas graves. O prognóstico é geralmente bom com o manejo adequado, mas a vigilância é importante para monitorar a progressão da doença e o surgimento de outras condições prostáticas.
Os principais sintomas da HPB são divididos em obstrutivos (dificuldade para iniciar micção, jato fraco, gotejamento pós-miccional, esvaziamento incompleto) e irritativos (nictúria, polaciúria, urgência miccional).
O PSA total é um marcador de rastreio para câncer de próstata, mas também pode estar elevado na HPB. A relação PSA livre/total ajuda a diferenciar, sendo que um valor baixo (<0,15-0,20) sugere maior risco de câncer, enquanto um valor alto sugere HPB.
A conduta inicial para HPB sintomática é geralmente medicamentosa, com alfa-bloqueadores (relaxam a musculatura lisa da próstata e colo vesical) e/ou inibidores da 5-alfa-redutase (reduzem o volume prostático em próstatas maiores).
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