HPB: Diagnóstico e Tratamento Inicial dos Sintomas Urinários

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2022

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 57 anos, procedente de comunidade ribeirinha de Juruá, vem a atendimento médico ambulatorial para avaliação de queixas urinárias. Refere que há cerca de 5 anos vem apresentando dificuldade progressiva para urinar, muitas vezes exigindo esforço para iniciar a micção e saída de jato urinário fraco, continuada sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, aumento da frequência de micções durante o dia e vários episódios de noctúria, impactando sua qualidade de vida e suas atividades diárias. Nega hematúria, disúria e dor pélvica. Nega qualquer tipo de tratamento médico para suas queixas. O exame físico do pênis e do escroto não tinham alterações. Não foi palpado bexigoma. O toque retal evidenciou próstata de volume aumentado, consistência fibroelástica, sem nodulações. Sobre o caso descrito, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) A provável evolução para hidronefrose indica urografia excretora para o caso.
  2. B) Já que não foram palpadas nodulações prostáticas, não há indicação da realização da USG transretal e a dosagem do PSA sérico.
  3. C) O paciente apresenta sintomas graves de obstrução infravesical, estando indicada a prostatectomia para alívio dos sintomas.
  4. D) A abordagem terapêutica inicial para o caso provavelmente consistirá no uso de alfabloqueadores como a doxazosina e diminuição da ingesta hídrica à noite.

Pérola Clínica

HPB com sintomas moderados/graves → alfabloqueadores (doxazosina) + medidas comportamentais como 1ª linha.

Resumo-Chave

A Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) é comum em homens idosos, causando sintomas obstrutivos e irritativos. A abordagem inicial para sintomas moderados a graves, sem complicações, é clínica, com alfabloqueadores que relaxam a musculatura lisa prostática e do colo vesical, melhorando o fluxo urinário.

Contexto Educacional

A Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) é uma condição comum em homens com o envelhecimento, caracterizada pelo aumento benigno da próstata que pode levar a sintomas do trato urinário inferior (STUI). A prevalência aumenta com a idade, afetando cerca de 50% dos homens na sexta década de vida e até 90% na nona década. É crucial para o médico generalista e residente reconhecer os sintomas e iniciar o manejo adequado para melhorar a qualidade de vida do paciente e prevenir complicações. A fisiopatologia envolve o crescimento do estroma e epitélio prostático, resultando em compressão da uretra e aumento da resistência ao fluxo urinário. O diagnóstico é baseado na história clínica, exame físico (toque retal para avaliar tamanho e consistência da próstata) e exclusão de outras causas de STUI. A dosagem do PSA sérico é importante para rastreamento de câncer de próstata, mas não é diagnóstica de HPB. A ultrassonografia transretal é reservada para casos específicos, não sendo rotina inicial. O tratamento inicial para sintomas moderados a graves de HPB, sem complicações, é clínico. Os alfabloqueadores (ex: doxazosina, tansulosina) são a primeira linha, pois relaxam a musculatura lisa prostática e do colo vesical, aliviando a obstrução. Inibidores da 5-alfa-redutase (ex: finasterida) podem ser usados para próstatas maiores. Medidas comportamentais, como evitar líquidos antes de dormir e cafeína, também são benéficas. A intervenção cirúrgica é considerada para casos refratários ou com complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da Hiperplasia Prostática Benigna (HPB)?

Os sintomas da HPB são divididos em obstrutivos (jato fraco, hesitação, esvaziamento incompleto, gotejamento terminal) e irritativos (frequência urinária, noctúria, urgência). Eles impactam a qualidade de vida do paciente.

Qual a conduta inicial para pacientes com HPB e sintomas moderados a graves?

A conduta inicial é clínica, com o uso de alfabloqueadores como a doxazosina, que relaxam a musculatura lisa da próstata e do colo da bexiga, melhorando o fluxo urinário. Medidas comportamentais, como restrição hídrica noturna, também são importantes.

Quando a cirurgia é indicada para pacientes com HPB?

A cirurgia (prostatectomia) é indicada para pacientes com HPB que não respondem ao tratamento clínico, apresentam complicações como retenção urinária aguda refratária, infecções urinárias de repetição, hematúria macroscópica recorrente, cálculos vesicais ou hidronefrose.

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