Hiperplasia Prostática Benigna: Manejo Clínico e Medicamentoso

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 62 anos refere há seis meses dificuldade progressiva para urinar, jato urinário fraco, episódios de esvaziamento vesical incompleto, hesitação inicial, esforço miccional esporádico e noctúria. Nega hematúria, retenção urinária, disúria e episódios de infecção do trato urinário. AP: HAS. Ao exame digital retal da próstata: glândula de 60 g, simétrica, fibroelástica, indolor e sem nodulações. Aos exames laboratoriais: urina I. normal, Cr 0,9 mg/dL, PSA 1,8 ng/mL. Diante da hipótese diagnóstica mais provável, a conduta é:

Alternativas

  1. A) orientar somente mudança de hábitos, tais como diminuir ingestão de líquidos no período noturno, consumo de cafeína, estimulantes e álcool.
  2. B) indicar tratamento cirúrgico endoscópico para desobstrução prostática, como, por exemplo, a ressecção transuretral da próstata.
  3. C) realizar uretrocistoscopia e estudo urodinâmico para melhor caracterização da obstrução infravesical e da função detrusora.
  4. D) orientar mudança de hábitos e prescrever alfabloqueador e inibidor de 5-alfa-redutase.

Pérola Clínica

HPB com LUTS e próstata > 40g → Mudança de hábitos + Alfabloqueador + Inibidor de 5-alfa-redutase.

Resumo-Chave

Paciente com sintomas do trato urinário inferior (LUTS) sugestivos de HPB e próstata aumentada (60g) deve iniciar tratamento clínico combinado com alfabloqueador (para relaxamento muscular) e inibidor de 5-alfa-redutase (para reduzir volume prostático), além de mudança de hábitos.

Contexto Educacional

A hiperplasia prostática benigna (HPB) é uma condição comum em homens idosos, caracterizada pelo aumento benigno da próstata que pode levar a sintomas do trato urinário inferior (LUTS). Esses sintomas incluem dificuldade progressiva para urinar, jato urinário fraco, esvaziamento vesical incompleto, hesitação inicial, esforço miccional e noctúria, impactando significativamente a qualidade de vida. O diagnóstico é baseado na história clínica, exame físico (toque retal) e exames laboratoriais, como PSA e creatinina, para excluir outras patologias e avaliar a função renal. No caso apresentado, o paciente exibe um quadro clássico de HPB com próstata aumentada (60g) e LUTS obstrutivos e irritativos, sem sinais de complicações graves como retenção urinária ou insuficiência renal. O PSA de 1,8 ng/mL é compatível com HPB e não sugere malignidade. Diante desse cenário, a conduta inicial é o tratamento clínico combinado. O tratamento clínico da HPB envolve a orientação de mudança de hábitos (diminuir ingestão noturna de líquidos, cafeína e álcool) e a terapia medicamentosa. A combinação de um alfabloqueador (como tansulosina, doxazosina) e um inibidor de 5-alfa-redutase (como finasterida, dutasterida) é a abordagem mais eficaz para pacientes com próstatas maiores (>40g) e sintomas moderados a graves. Os alfabloqueadores agem relaxando a musculatura lisa da próstata e do colo vesical, proporcionando alívio rápido dos sintomas, enquanto os inibidores de 5-alfa-redutase atuam reduzindo o volume prostático ao longo do tempo, prevenindo a progressão da doença. Essa abordagem combinada é superior à monoterapia para muitos pacientes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da hiperplasia prostática benigna (HPB)?

Os sintomas da HPB são conhecidos como LUTS (sintomas do trato urinário inferior) e incluem sintomas obstrutivos (jato fraco, hesitação, esforço, esvaziamento incompleto) e irritativos (noctúria, frequência, urgência).

Como os alfabloqueadores e inibidores de 5-alfa-redutase atuam na HPB?

Alfabloqueadores relaxam a musculatura lisa da próstata e do colo vesical, melhorando o fluxo urinário rapidamente. Inibidores de 5-alfa-redutase reduzem o volume prostático ao longo do tempo, diminuindo a obstrução mecânica e prevenindo a progressão da doença.

Quando o tratamento cirúrgico é indicado para HPB?

O tratamento cirúrgico é geralmente indicado para pacientes com HPB que não respondem à terapia medicamentosa, ou que desenvolvem complicações como retenção urinária refratária, infecções urinárias de repetição, hematúria macroscópica recorrente, insuficiência renal ou cálculos vesicais.

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