IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2024
Mulher de 27 anos sem comorbidades, em uso de anticoncepcional oral há 10 anos. Em ultrassonografia de abdome de rotina foi encontrada lesão de 4,7cm localizada no lobo hepático direito. Realizou ressonância magnética de abdome superior, que mostrou lesão hipervascularizada, com contornos bem delimitados e presença de “cicatriz central”. Na fase hepatobiliar houve retenção do contraste hepato específico pela lesão. Qual o diagnóstico mais provável para essa paciente?
HNF = lesão hepática benigna, hipervascularizada, com cicatriz central e retenção de contraste hepatoespecífico na RM.
A hiperplasia nodular focal (HNF) é uma lesão hepática benigna caracterizada pela presença de uma cicatriz central e um padrão de realce específico na ressonância magnética com contraste hepatoespecífico, que a diferencia de outras lesões como adenomas ou CHC.
A hiperplasia nodular focal (HNF) é a segunda lesão hepática benigna mais comum, superada apenas pelo hemangioma. É mais frequente em mulheres jovens e, ao contrário do adenoma hepático, sua associação com o uso de anticoncepcionais orais é controversa e não bem estabelecida. A HNF é considerada uma resposta hiperplásica de hepatócitos normais a uma anomalia vascular congênita ou adquirida, caracterizada por um suprimento arterial anômalo. O diagnóstico da HNF é predominantemente radiológico, com a ressonância magnética (RM) sendo o método de imagem de escolha. As características clássicas na RM incluem uma lesão hipervascularizada com realce arterial intenso e precoce, seguida de isointensidade nas fases portal e tardia. O achado mais distintivo é a "cicatriz central" fibrosa, que realça tardiamente. Com a introdução de contrastes hepatoespecíficos (como o gadoxetato dissódico), a HNF demonstra retenção do contraste na fase hepatobiliar, devido à presença de hepatócitos funcionantes com transportadores de ânions orgânicos, diferenciando-a de adenomas e carcinomas hepatocelulares. A HNF é uma lesão benigna sem potencial de malignização ou sangramento significativo, e geralmente não requer tratamento, apenas acompanhamento. O conhecimento de suas características de imagem é crucial para evitar biópsias desnecessárias ou intervenções cirúrgicas. O diagnóstico diferencial inclui adenoma hepático, carcinoma hepatocelular (CHC) e hemangioma, sendo a RM com contraste hepatoespecífico fundamental para essa distinção.
Na RM, a HNF tipicamente apresenta-se como uma lesão hipervascularizada com realce arterial intenso e homogêneo, seguida de isointensidade ou leve hiperintensidade nas fases portal e tardia. A presença de uma cicatriz central e a retenção do contraste hepatoespecífico na fase hepatobiliar são achados patognomônicos.
Ao contrário do adenoma hepático, a hiperplasia nodular focal não tem uma associação clara com o uso de anticoncepcionais orais. Embora possa ser encontrada em pacientes que os utilizam, o uso de ACO não é considerado um fator etiológico direto para a HNF.
A principal diferença na imagem é a presença da cicatriz central e a retenção de contraste hepatoespecífico na HNF, que são ausentes no adenoma. Adenomas podem ser mais heterogêneos, com áreas de hemorragia ou gordura, e têm maior risco de sangramento e transformação maligna.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo