Hiperplasia Endometrial Sem Atipia: Tratamento com Progesterona

Santa Casa de São Carlos (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 47 anos, apresentando sangramento uterino. Realiza ultrassom que evidencia endométrio de 14 mm. Submetida a biópsia, o laudo anatomopatológico demonstra hiperplasia endometrial sem atipia. A melhor conduta para o caso é:

Alternativas

  1. A) Progesterona oral.
  2. B) Histerectomia.
  3. C) Ablação endometrial.
  4. D) Análogo do GnRH.

Pérola Clínica

Hiperplasia endometrial sem atipia → tratamento com progesterona oral para induzir atrofia e reduzir risco de progressão.

Resumo-Chave

A hiperplasia endometrial sem atipia é uma condição benigna, mas que pode progredir para câncer endometrial em uma pequena porcentagem dos casos. O tratamento com progesterona oral visa antagonizar o efeito estrogênico excessivo no endométrio, induzindo a atrofia e revertendo a hiperplasia, sendo a conduta mais conservadora e eficaz.

Contexto Educacional

A hiperplasia endometrial é uma proliferação excessiva das glândulas endometriais, geralmente causada por um estímulo estrogênico prolongado e sem oposição da progesterona. É uma condição comum em mulheres perimenopausadas e pós-menopausadas, manifestando-se frequentemente como sangramento uterino anormal. A classificação histopatológica é crucial, distinguindo hiperplasia sem atipia da hiperplasia com atipia, sendo esta última considerada uma lesão pré-maligna com maior risco de progressão para adenocarcinoma endometrial. No caso de hiperplasia endometrial sem atipia, o risco de progressão para câncer é baixo, e o tratamento conservador é a abordagem preferencial. A terapia com progestágenos (progesterona oral, DIU hormonal com levonorgestrel) é a conduta de escolha. A progesterona induz a diferenciação e atrofia do endométrio, revertendo a hiperplasia e controlando o sangramento. O acompanhamento com biópsias endometriais seriadas é fundamental para monitorar a resposta ao tratamento e descartar progressão. Outras opções como histerectomia ou ablação endometrial são geralmente reservadas para casos de hiperplasia com atipia, falha do tratamento hormonal, contraindicações aos progestágenos, ou quando a paciente já completou sua prole e deseja uma solução definitiva. O análogo do GnRH não é a primeira linha para hiperplasia sem atipia, sendo mais utilizado em casos de miomas ou endometriose. A escolha da conduta deve sempre considerar a idade da paciente, desejo de gestação e comorbidades.

Perguntas Frequentes

Qual o risco de malignidade da hiperplasia endometrial sem atipia?

A hiperplasia endometrial sem atipia tem um baixo risco de progressão para câncer endometrial, estimado em menos de 5% ao longo de 20 anos, mas requer acompanhamento e tratamento para regressão.

Por que a progesterona é o tratamento de escolha para hiperplasia sem atipia?

A progesterona antagoniza o efeito proliferativo do estrogênio no endométrio, induzindo a diferenciação e atrofia glandular, o que leva à regressão da hiperplasia e controle do sangramento.

Quando a histerectomia ou ablação endometrial seriam consideradas?

Histerectomia ou ablação são opções para casos de hiperplasia com atipia, hiperplasia sem atipia refratária ao tratamento hormonal, ou em pacientes que não desejam mais gestar e preferem uma solução definitiva.

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