UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2020
Mulher, 36 anos de idade, nuligesta com desejo reprodutivo, apresenta sangramento uterino anormal há 3 meses. Foi realizada biópsia do endométrio que mostrou hiperplasia complexa com atipia. O tratamento mais adequado para esta paciente é:
Hiperplasia complexa com atipia + desejo reprodutivo → tratamento conservador com progestagênio.
A hiperplasia complexa com atipia é uma lesão precursora de câncer endometrial. Em mulheres jovens com desejo reprodutivo, o tratamento conservador com progestagênios (oral ou DIU de levonorgestrel) é a primeira linha para preservar a fertilidade, exigindo acompanhamento rigoroso com biópsias seriadas.
A hiperplasia endometrial é uma condição comum caracterizada pela proliferação excessiva das glândulas endometriais. Sua importância clínica reside no potencial de progressão para adenocarcinoma endometrial, especialmente nos tipos com atipia. A hiperplasia complexa com atipia é a que apresenta maior risco de malignidade, sendo considerada uma lesão precursora do câncer de endométrio. O diagnóstico é feito por biópsia endometrial. A fisiopatologia envolve a exposição prolongada e desbalanceada ao estrogênio sem a oposição adequada da progesterona. Em pacientes jovens com desejo reprodutivo, a conduta é desafiadora, pois a histerectomia, embora curativa, impede a gestação. Nesses casos, o tratamento conservador com progestagênios é a opção preferencial. O tratamento com progestagênios (oral, injetável ou DIU de levonorgestrel) visa induzir a atrofia e diferenciação do endométrio, revertendo a hiperplasia. É fundamental um acompanhamento rigoroso com biópsias de controle para avaliar a resposta terapêutica. A falha do tratamento conservador ou a ausência de desejo reprodutivo podem indicar a histerectomia como tratamento definitivo.
A hiperplasia endometrial é classificada em sem atipia (simples ou complexa) e com atipia (simples ou complexa). A hiperplasia com atipia, especialmente a complexa, é considerada uma lesão pré-maligna com risco significativo de progressão para adenocarcinoma endometrial.
O progestagênio induz a diferenciação e atrofia do endométrio, revertendo a hiperplasia e reduzindo o risco de progressão para câncer. Em pacientes com desejo reprodutivo, permite a preservação uterina e, consequentemente, a fertilidade, sendo uma alternativa à histerectomia.
Após o tratamento com progestagênios, é crucial um acompanhamento rigoroso com biópsias endometriais seriadas (geralmente a cada 3-6 meses) para monitorar a regressão da lesão e detectar qualquer persistência ou progressão, garantindo a segurança da paciente.
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