Hiperplasia Endometrial Atípica com Tamoxifeno: Conduta Ideal

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 62 anos tratada de câncer de mama há 4 anos, em uso de tamoxifeno 20 mg via oral ao dia. Apresenta sangramento vaginal de pequeno volume há 2 meses. A ultrassonografia transvaginal identificou eco endometrial irregular com 9 mm de espessura, sem outras alterações. A histeroscopia diagnóstica e a biópsia dirigida foram compatíveis com hiperplasia endometrial atípica. Qual a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Repetir a ultrassonografia em 3 meses.
  2. B) Suspender o tamoxifeno e introduzir inibidor da aromatase.
  3. C) Histerectomia e salpingooforectomia bilateral.
  4. D) Progesterona via oral por 6 meses.

Pérola Clínica

Hiperplasia endometrial atípica + Tamoxifeno → alto risco de câncer endometrial = Histerectomia.

Resumo-Chave

O tamoxifeno, embora eficaz no câncer de mama, tem efeito estrogênico no endométrio, aumentando o risco de hiperplasia e câncer. A hiperplasia endometrial atípica é uma lesão pré-maligna com alto potencial de progressão para adenocarcinoma, especialmente em pacientes em uso de tamoxifeno, justificando a histerectomia como melhor conduta.

Contexto Educacional

A hiperplasia endometrial atípica é uma condição pré-maligna do endométrio, com um risco significativo de progressão para adenocarcinoma endometrial. Sua incidência é aumentada em pacientes que utilizam tamoxifeno, um medicamento amplamente empregado no tratamento e prevenção do câncer de mama, devido ao seu efeito estrogênico no tecido endometrial. O sangramento vaginal pós-menopausa é o principal sintoma de alerta. A fisiopatologia envolve a proliferação glandular endometrial com atipias celulares, impulsionada pela exposição estrogênica, como a induzida pelo tamoxifeno. O diagnóstico é feito por ultrassonografia transvaginal (eco endometrial espessado), seguido de histeroscopia com biópsia dirigida para avaliação histopatológica. A suspeita deve ser alta em qualquer mulher pós-menopausa com sangramento uterino anormal, especialmente se em uso de tamoxifeno. O tratamento da hiperplasia endometrial atípica em pacientes em uso de tamoxifeno é predominantemente cirúrgico, com histerectomia e salpingooforectomia bilateral, devido ao alto risco de malignidade e à dificuldade de controle com terapia conservadora. O prognóstico é bom se tratada precocemente. Pontos de atenção incluem a vigilância rigorosa de pacientes em tamoxifeno e a investigação imediata de qualquer sangramento vaginal.

Perguntas Frequentes

Qual a relação entre tamoxifeno e hiperplasia endometrial?

O tamoxifeno, um modulador seletivo do receptor de estrogênio, exerce um efeito estrogênico no endométrio, aumentando o risco de hiperplasia endometrial, pólipos e câncer de endométrio.

Por que a hiperplasia endometrial atípica exige conduta mais agressiva?

A hiperplasia endometrial atípica é considerada uma lesão pré-maligna, com alto risco de progressão para adenocarcinoma endometrial, especialmente na presença de fatores de risco como o uso de tamoxifeno.

Quais as opções de tratamento para hiperplasia endometrial atípica?

A conduta padrão para hiperplasia endometrial atípica, especialmente em pacientes com fatores de risco ou que não desejam gestar, é a histerectomia. Em casos selecionados e com desejo de fertilidade, pode-se considerar progesterona com vigilância rigorosa.

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