Hiperplasia Endometrial Atípica: Manejo e Risco de Câncer

UNIRIO/HUGG - Hospital Universitário Gaffrée e Guinle - Rio de Janeiro (RJ) — Prova 2020

Enunciado

RGAL, 49 anos, gesta 3 para 3 partos normais, obesa, hipertensa e com intolerância à glicose apresentou sangramento uterino aumentado e irregular. Ao exame ultrassonográfico apresentava endométrio espessado, 20mm. Foi realizada biópsia endometrial com laudo de hiperplasia atípica simples. Em relação ao caso a melhor conduta será

Alternativas

  1. A) controle ultrassonográfico semestral porque a hiperplasia atípica simples só progride para câncer do endométrio em 1% dos casos.
  2. B) orientar a paciente ao tratamento com hormonal e controle ultrassonográfico anual porque a hiperplasia simples não é lesão precursora de câncer endometrial.
  3. C) histerectomia total abdominal justificada pelo sangramento uterino aumentado e irregular e fatores de risco para o desenvolvimento de câncer de endométrio.
  4. D) histerectomia total abdominal, porque a hiperplasia atípica simples em 8% dos casos pode progredir para câncer de endométrio.
  5. E) realizar dilatação e curetagem uterina (D&C) porque a hiperplasia atípica simples em 3% dos casos pode progredir para câncer do endométrio.

Pérola Clínica

Hiperplasia endometrial atípica + fatores de risco → histerectomia devido ao alto risco de malignidade.

Resumo-Chave

A hiperplasia endometrial atípica é uma lesão precursora de câncer de endométrio, com risco significativo de progressão. Em pacientes perimenopáusicas/pós-menopáusicas com fatores de risco e sangramento uterino anormal, a histerectomia é a conduta de escolha para prevenir a malignidade.

Contexto Educacional

A hiperplasia endometrial atípica é uma condição ginecológica de grande importância clínica, considerada uma lesão precursora do adenocarcinoma de endométrio. Sua relevância é amplificada em pacientes com fatores de risco como obesidade, hipertensão, diabetes ou intolerância à glicose, e idade perimenopáusica ou pós-menopáusica. Esses fatores contribuem para um ambiente de exposição estrogênica prolongada e sem oposição, que favorece o crescimento endometrial anormal e o desenvolvimento de atipias celulares. O sangramento uterino anormal, especialmente em mulheres com esses fatores de risco, deve sempre levantar a suspeita de patologia endometrial. O diagnóstico de hiperplasia endometrial atípica é estabelecido por biópsia endometrial, que revela alterações arquiteturais e citológicas. A presença de atipias é o fator mais crítico para determinar o risco de malignidade, que pode variar de 8% a 29% dependendo do tipo (simples ou complexa com atipias). Diferentemente da hiperplasia sem atipias, que tem um risco muito baixo de progressão, a hiperplasia atípica exige uma abordagem terapêutica mais agressiva devido ao seu potencial maligno. A conduta para hiperplasia endometrial atípica depende de múltiplos fatores, incluindo a idade da paciente, desejo de fertilidade e presença de comorbidades. Em pacientes perimenopáusicas ou pós-menopáusicas, com paridade completa e múltiplos fatores de risco para câncer de endométrio, a histerectomia total abdominal é a opção preferencial. Este procedimento oferece a remoção completa do útero, eliminando o risco de progressão para câncer e tratando o sangramento uterino irregular, proporcionando uma solução definitiva e preventiva.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para câncer de endométrio?

Os principais fatores de risco incluem obesidade, hipertensão, diabetes/intolerância à glicose, uso de tamoxifeno, síndrome dos ovários policísticos, nuliparidade e idade avançada, todos associados à exposição estrogênica sem oposição.

Qual a diferença entre hiperplasia endometrial simples e atípica?

A hiperplasia simples (sem atipias) tem baixo risco de progressão para câncer. A hiperplasia atípica (seja simples ou complexa) é considerada uma lesão precursora, com risco significativamente maior de evoluir para adenocarcinoma endometrial.

Por que a histerectomia é a melhor conduta para hiperplasia atípica em pacientes com fatores de risco?

A histerectomia é indicada devido ao alto risco de progressão da hiperplasia atípica para câncer de endométrio, especialmente em pacientes com fatores de risco adicionais e que não desejam preservar a fertilidade, oferecendo a cura definitiva e prevenção da malignidade.

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