HVV - Hospital Vaz Monteiro - Lavras (MG) — Prova 2025
Uma recém-nascida é trazida para avaliação por apresentar genitália ambígua, com clitoromegalia e fusão parcial dos lábios. Aos 10 dias de vida, apresenta vômitos frequentes, desidratação e perda de peso significativa. Exames laboratoriais mostram hiponatremia, hipercalemia e aumento da atividade de renina plasmática. Com base nesse quadro clínico, o diagnóstico mais provável e a conduta adequada são:
RN com genitália ambígua + crise adrenal (hiponatremia, hipercalemia) → HAC deficiência 21-hidroxilase forma perdedora de sal.
A deficiência da 21-hidroxilase é a causa mais comum de HAC, levando à virilização em meninas e à crise perdedora de sal em ambos os sexos devido à deficiência de cortisol e aldosterona. A hiponatremia e hipercalemia são marcadores da perda de sal.
A Hiperplasia Adrenal Congênita (HAC) por deficiência da 21-hidroxilase é a causa mais comum de genitália ambígua em recém-nascidos do sexo feminino e a principal causa de crise adrenal neonatal. É uma doença autossômica recessiva que afeta a síntese de cortisol e aldosterona, levando ao acúmulo de precursores androgênicos. Sua importância clínica reside na necessidade de diagnóstico precoce para evitar a crise adrenal, que pode ser fatal, e para iniciar o tratamento adequado que previne a virilização progressiva. Fisiopatologicamente, a deficiência da enzima 21-hidroxilase impede a conversão de 17-hidroxiprogesterona em 11-desoxicortisol (precursor do cortisol) e de progesterona em 11-desoxicorticosterona (precursor da aldosterona). Isso resulta em baixos níveis de cortisol e aldosterona, com consequente aumento do ACTH e hiperplasia adrenal. O acúmulo de precursores desvia a via metabólica para a produção de andrógenos, causando virilização. A suspeita diagnóstica surge com genitália ambígua em meninas ou sinais de crise perdedora de sal (vômitos, desidratação, hiponatremia, hipercalemia) em ambos os sexos. O tratamento da HAC por deficiência de 21-hidroxilase envolve a reposição de glicocorticoides (hidrocortisona) para suprimir o ACTH e reduzir a produção de andrógenos, e mineralocorticoides (fludrocortisona) para corrigir a perda de sal. Em situações de estresse ou doença, a dose de glicocorticoide deve ser aumentada para prevenir a crise adrenal. O prognóstico é bom com tratamento adequado e monitoramento contínuo, mas a adesão terapêutica é crucial para o desenvolvimento normal e a prevenção de complicações.
Os sinais incluem genitália ambígua (clitoromegalia, fusão labial) em meninas, e em ambos os sexos, sintomas de crise perdedora de sal como vômitos, desidratação, perda de peso, hiponatremia e hipercalemia.
A conduta inicial envolve a reposição urgente de glicocorticoides (hidrocortisona) e mineralocorticoides (fludrocortisona), além de fluidos intravenosos para corrigir a desidratação e os distúrbios eletrolíticos.
A deficiência de 21-hidroxilase é a mais comum e se manifesta com virilização e, na forma clássica, perda de sal. Outras formas, como a deficiência de 11β-hidroxilase, também causam virilização, mas podem cursar com hipertensão e hipocalemia devido ao acúmulo de precursores com atividade mineralocorticoide.
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