Hiperplasia Adrenal Congênita: Crise Perdedora de Sal em RN

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Recém nascido (RN), masculino, nascido de parto vaginal a termo, adequado para a idade gestacional, com 12 dias de vida, evoluindo com ganho de peso inadequado, vômitos diários, recusa de mamadas e com relato materno de diurese protraída. Exame físico: letárgico, olhos fundos, fontanela anterior deprimida. Encaminhado ao serviço de emergência onde foi iniciada hidratação parenteral. Exames laboratoriais: hiponatremia, hipercalemia e acidose metabólica. A principal hipótese diagnóstica para este paciente é:

Alternativas

  1. A) doença do refluxo gastroesofágico
  2. B) estenose hipertrófica de piloro
  3. C) gastroenterite aguda
  4. D) hiperplasia adrenal congênita perdedora de sal

Pérola Clínica

RN com vômitos, desidratação, hiponatremia, hipercalemia e acidose → pensar em Hiperplasia Adrenal Congênita perdedora de sal.

Resumo-Chave

O quadro clínico de um recém-nascido com 12 dias de vida apresentando ganho de peso inadequado, vômitos, recusa de mamadas, desidratação (olhos fundos, fontanela deprimida) e alterações eletrolíticas (hiponatremia, hipercalemia, acidose metabólica) é altamente sugestivo de crise adrenal por Hiperplasia Adrenal Congênita (HAC) perdedora de sal, uma emergência pediátrica.

Contexto Educacional

A Hiperplasia Adrenal Congênita (HAC) é um grupo de doenças genéticas autossômicas recessivas que afetam a síntese de hormônios esteroides na córtex adrenal. A forma mais comum, deficiência de 21-hidroxilase, pode se apresentar como a forma clássica perdedora de sal, uma emergência pediátrica que se manifesta nas primeiras semanas de vida. A importância clínica reside na alta morbidade e mortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente, sendo um dos alvos da triagem neonatal (teste do pezinho). Fisiopatologicamente, a deficiência de 21-hidroxilase impede a produção de cortisol e aldosterona. A falta de cortisol leva à elevação do ACTH, que estimula a adrenal a produzir precursores que são desviados para a via androgênica, resultando em virilização em meninas. A deficiência de aldosterona causa a crise perdedora de sal, caracterizada por perda renal de sódio e retenção de potássio, levando a hiponatremia, hipercalemia, acidose metabólica, desidratação e choque hipovolêmico. O diagnóstico é suspeitado clinicamente e confirmado por exames laboratoriais (elevação de 17-hidroxiprogesterona). O tratamento da crise adrenal é uma emergência e envolve a reposição de fluidos e eletrólitos (soro fisiológico, glicose), além da administração de glicocorticoides (hidrocortisona) e mineralocorticoides (fludrocortisona). O manejo a longo prazo inclui a reposição hormonal contínua e o monitoramento do crescimento e desenvolvimento. Residentes devem estar aptos a reconhecer rapidamente este quadro, pois o atraso no diagnóstico e tratamento pode ser fatal, e a triagem neonatal é um pilar fundamental para a identificação precoce e prevenção das complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da crise perdedora de sal na Hiperplasia Adrenal Congênita?

Os principais sintomas incluem vômitos persistentes, recusa alimentar, letargia, desidratação grave (olhos fundos, fontanela deprimida), perda de peso e, em casos graves, choque. Laboratorialmente, observa-se hiponatremia, hipercalemia e acidose metabólica, devido à deficiência de mineralocorticoides.

Por que a Hiperplasia Adrenal Congênita perdedora de sal causa hiponatremia e hipercalemia?

A forma perdedora de sal da HAC é causada pela deficiência de 21-hidroxilase, que impede a síntese de aldosterona (um mineralocorticoide). A falta de aldosterona leva à perda renal de sódio e retenção de potássio, resultando em hiponatremia e hipercalemia, respectivamente.

Qual a conduta inicial em um recém-nascido com suspeita de crise adrenal?

A conduta inicial é uma emergência e inclui hidratação parenteral agressiva com soro fisiológico 0,9% para corrigir a desidratação e o choque, administração de glicose para hipoglicemia, e reposição de glicocorticoides (hidrocortisona) e mineralocorticoides (fludrocortisona) para reverter a insuficiência adrenal.

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