Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025
Adolescente, 15 anos, menarca aos 12 anos. Vem com quadro de irregularidade menstrual. Suas menstruações têm atrasado e os ciclos atingem 34 dias de intervalo. Já aconteceu de falhar 1 vez. A mãe acompanha a consulta e está preocupada, pois teve ovário policístico nessa idade. Ao exame físico, observa-se aumento de pelos nos braços e pernas e sobrepeso (IMC 28). Os exames subsidiários solicitados, tais como glicemia, curva glicêmica, androstenediona, testosterona, FSH/LH e estradiol, estavam dentro da faixa de normalidade. Apenas a 17OH-progesterona encontrava-se elevada em torno de 800 ng/dL. O exame ultrassonográfico pélvico era normal.Como explicar essa situação para a mãe?
17OH-progesterona ↑ + hirsutismo + irregularidade menstrual → suspeitar HAC não clássica, mesmo com USG normal.
A elevação da 17OH-progesterona é um marcador chave para a hiperplasia adrenal congênita não clássica, uma condição que pode mimetizar a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) em adolescentes, apresentando hirsutismo e irregularidade menstrual. O ultrassom ovariano normal não exclui HAC.
A Hiperplasia Adrenal Congênita (HAC) não clássica, ou de início tardio, é uma doença autossômica recessiva causada por uma deficiência parcial da enzima 21-hidroxilase. É a forma mais comum de HAC e pode ser subdiagnosticada devido à sua apresentação clínica variável, que mimetiza outras condições como a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). A prevalência varia de 1:100 a 1:1000 na população geral, sendo mais comum em certas etnias. O diagnóstico da HAC não clássica é suspeitado em pacientes com sinais de hiperandrogenismo (hirsutismo, acne, alopecia androgênica), irregularidade menstrual ou infertilidade. A chave diagnóstica é a dosagem da 17-hidroxiprogesterona (17OH-P) basal, que se encontra elevada. Em casos duvidosos, o teste de estímulo com ACTH pode ser necessário para confirmar o diagnóstico. É crucial diferenciar da SOP, pois o tratamento e o prognóstico são distintos. O tratamento da HAC não clássica geralmente envolve a administração de glicocorticoides em baixas doses para suprimir a secreção de ACTH e, consequentemente, a produção excessiva de androgênios adrenais. Isso ajuda a controlar os sintomas de hiperandrogenismo e a regularizar os ciclos menstruais, melhorando a fertilidade em mulheres que desejam engravidar. O acompanhamento endocrinológico é fundamental.
A HAC não clássica manifesta-se com hiperandrogenismo, como hirsutismo, acne, irregularidade menstrual e, em alguns casos, infertilidade. Os sintomas podem surgir na puberdade ou na vida adulta.
A principal diferenciação é feita pela dosagem da 17-hidroxiprogesterona basal ou após estímulo com ACTH. Níveis elevados de 17OH-progesterona sugerem HAC, enquanto na SOP, os níveis são geralmente normais.
O tratamento consiste na reposição de glicocorticoides em baixas doses, como a prednisona, para suprimir a produção excessiva de androgênios adrenais e regularizar os ciclos menstruais.
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