UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2023
Adolescente foi levado ao médico por seus pais, pelo fato de apresentar características sexuais secundárias femininas. Esse fato causou confusão em seus genitores que o criaram como menino desde criança. Durante o exame, foi observada uma genitália com ambiguidade. Exames laboratoriais revelaram aumento de enzima 17αhidroxiprogesterona e androstenediona. O cariótipo foi 46XX, e o exame ecográfico revelou genitália interna feminina. De acordo com esse quadro, o provável diagnóstico é
46XX + ambiguidade genital + ↑17-OHP + ↑androstenediona = HAC por deficiência da 21-hidroxilase.
A deficiência da 21-hidroxilase é a causa mais comum de Hiperplasia Adrenal Congênita (HAC) e se manifesta em indivíduos 46XX com virilização e ambiguidade genital ao nascimento, devido ao acúmulo de precursores hormonais que são desviados para a via dos andrógenos, resultando em níveis elevados de 17-hidroxiprogesterona e androstenediona.
A Hiperplasia Adrenal Congênita (HAC) é um grupo de doenças genéticas autossômicas recessivas que afetam a síntese de hormônios esteroides no córtex adrenal. A deficiência da 21-hidroxilase é a forma mais comum, respondendo por cerca de 90-95% dos casos. Essa deficiência enzimática impede a conversão de 17-hidroxiprogesterona em 11-desoxicortisol e de progesterona em 11-desoxicorticosterona, resultando em deficiência de cortisol e aldosterona, e acúmulo de precursores que são desviados para a via dos andrógenos. Em fetos femininos (46XX), o excesso de andrógenos adrenais leva à virilização, manifestando-se como ambiguidade genital ao nascimento, que pode variar de clitoromegalia a fusão labioescrotal completa, mimetizando uma genitália masculina. Em meninos (46XY), a virilização pode passar despercebida ao nascimento, mas pode levar a puberdade precoce. Além da virilização, a forma clássica da deficiência da 21-hidroxilase pode apresentar perda de sal devido à deficiência de aldosterona, causando crises de desidratação e choque. O diagnóstico é confirmado pela elevação acentuada da 17-hidroxiprogesterona e da androstenediona, juntamente com o cariótipo 46XX em casos de ambiguidade genital feminina. O tratamento envolve a reposição de glicocorticoides para suprimir o ACTH e, se houver perda de sal, a reposição de mineralocorticoides. A genitoplastia é considerada para correção da ambiguidade genital. O manejo precoce e adequado é crucial para prevenir crises de perda de sal e para garantir o desenvolvimento psicossocial adequado do indivíduo.
A causa mais comum de ambiguidade genital em indivíduos com cariótipo 46XX é a Hiperplasia Adrenal Congênita (HAC) por deficiência da 21-hidroxilase. Esta condição leva à virilização do feto feminino devido ao excesso de andrógenos adrenais.
Os exames laboratoriais cruciais incluem a dosagem de 17-hidroxiprogesterona (17-OHP), que estará marcadamente elevada, e a dosagem de androstenediona, que também estará aumentada. O cariótipo 46XX confirma o sexo genético feminino.
O tratamento consiste na reposição hormonal de glicocorticoides para suprimir a produção excessiva de ACTH e, consequentemente, a produção de andrógenos. Em casos de perda de sal, também é necessária a reposição de mineralocorticoides. A cirurgia de genitoplastia pode ser indicada para correção da ambiguidade genital.
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