DDS 46,XX: Hiperplasia Adrenal Congênita por 21-Hidroxilase

UEM - Hospital Universitário de Maringá (PR) — Prova 2020

Enunciado

Recém nascido com 10 dias de vida, procurou o pronto atendimento com sua mãe pois apresenta dificuldade para mamar, redução da diurese e hipoatividade. Ao exame: REG, desidratado 2+/4+ e tempo de enchimento capilar >3 segundos. Genitais com aspecto masculino, falus de 3cm, uretra na base do falus, saliências labioescrotais fundidas mas sem gonadas palpáveis. O mesmo foi internado e o exame de cariótipo foi 46,XX. Qual a desordem do desenvolvimento sexual mais provável?

Alternativas

  1. A) DDS, 46XX ovotesticular.
  2. B) DDS, 46XX disgenesia gonadal.
  3. C) DDS, 46XX hiperplasia adrenal congênita por deficiência da 11 beta-hidroxilase.
  4. D) DDS, 46XX hiperplasia adrenal congênita por deficiência da 17 alfa hidroxilase.
  5. E) DDS, 46XX hiperplasia adrenal congênita por deficiência da 21-hidroxilase.

Pérola Clínica

RN 46,XX com genitália ambígua e sinais de desidratação/perda de sal → HAC por deficiência de 21-hidroxilase.

Resumo-Chave

A hiperplasia adrenal congênita por deficiência da 21-hidroxilase é a causa mais comum de genitália ambígua em recém-nascidos 46,XX, frequentemente acompanhada de crise adrenal por perda de sal, manifestada por desidratação e hiponatremia.

Contexto Educacional

Os Distúrbios do Desenvolvimento Sexual (DDS) são condições complexas que envolvem anomalias na diferenciação sexual. A genitália ambígua em um recém-nascido é uma emergência médica e social que exige investigação imediata. O cariótipo é o primeiro passo para a classificação, e no caso de um cariótipo 46,XX com genitália virilizada, a principal hipótese diagnóstica é a hiperplasia adrenal congênita (HAC). A HAC por deficiência da 21-hidroxilase é a causa mais comum de genitália ambígua em indivíduos 46,XX. Essa deficiência enzimática impede a síntese de cortisol e aldosterona, levando ao acúmulo de precursores que são desviados para a via de produção de androgênios. Em fetos femininos (46,XX), o excesso de androgênios durante a vida intrauterina causa virilização da genitália externa, resultando em clitoromegalia, fusão labioescrotal e, em casos graves, um falo com uretra na base, como descrito na questão. Além da virilização, a deficiência de 21-hidroxilase pode cursar com a forma perdedora de sal, devido à deficiência de aldosterona. Isso se manifesta no recém-nascido por desidratação, dificuldade para mamar, hipoatividade, hiponatremia e hipercalemia, configurando uma crise adrenal, que é uma emergência com risco de vida. O diagnóstico precoce e o tratamento com reposição hormonal (glicocorticoides e mineralocorticoides) são cruciais. As outras formas de HAC (11-beta e 17-alfa hidroxilase) também causam virilização, mas têm perfis bioquímicos e clínicos distintos, como a presença de hipertensão na deficiência de 11-beta hidroxilase.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de crise adrenal em um recém-nascido com hiperplasia adrenal congênita?

A crise adrenal em RN com HAC manifesta-se por desidratação grave, vômitos, letargia, dificuldade para mamar, perda de peso, hiponatremia, hipercalemia e acidose metabólica, podendo ser fatal se não tratada.

Por que a deficiência de 21-hidroxilase causa genitália ambígua em meninas 46,XX?

A deficiência da enzima 21-hidroxilase impede a síntese de cortisol e aldosterona, levando ao acúmulo de precursores que são desviados para a via de produção de androgênios, causando virilização da genitália externa em fetos femininos.

Como o cariótipo 46,XX ajuda no diagnóstico diferencial da genitália ambígua?

O cariótipo 46,XX em um indivíduo com genitália ambígua e fenótipo masculino indica virilização de um feto feminino, direcionando a investigação para causas como a hiperplasia adrenal congênita ou exposição a androgênios exógenos.

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