Crise Adrenal Neonatal: Diagnóstico de Hiperplasia Adrenal Congênita

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2025

Enunciado

Recém-nascido a termo, feminino, adequado para idade gestacional, nascido de parto cesárea por desejo materno, bolsa integra, cultura vaginal e anal matema negativa para Streptococcus B. Após o nascimento, é mantido em alojamento conjunto, recebe alta hospitalar com 52 horas de vida em aleitamento materno exclusivo, com perda ponderal em relação ao peso de nascimento de 6,8%. Com 10 dias de vida dá entrada no pronto-socorro infantil desidratado, hipoativo, pálido, pele fria, pulso fino, perfusão lentificada. Solicitados exames de admissão: Leucócitos: 15.808, Hemoglobina: 14,2 g/dL, Hematócrito: 43%, PCR: 0,3 mg/L (normal até 0,5 mg/L.). Sódio: 121 meq/L, Potássio: 4.8 meq/L, Cálcio: 9.8 mg/dL, Magnésio: 1,8 meq/L e Gasometria: pH: 7,14, pCO₂: 17 bicarbonato 7 pO₂ 130 BE - 13. A hipótese mais provável é:

Alternativas

  1. A) Desidratação por baixa ingesta.
  2. B) Sepse Neonatal precoce.
  3. C) Hipotireoidismo congênito.
  4. D) Sepse neonatal tardia.
  5. E) Hiperplasia adrenal congênita.

Pérola Clínica

RN feminino 10d com desidratação, hiponatremia, acidose metabólica e hipercalemia (discreta) → suspeitar crise adrenal por HAC (forma perdedora de sal).

Resumo-Chave

A apresentação clínica de um RN feminino de 10 dias com desidratação grave, hiponatremia, acidose metabólica e sinais de choque, especialmente com potássio normal/limítrofe (que pode ser elevado em HAC), é altamente sugestiva de crise adrenal por Hiperplasia Adrenal Congênita (HAC) na forma perdedora de sal. A perda ponderal inicial e a baixa ingesta podem mascarar a causa subjacente.

Contexto Educacional

A Hiperplasia Adrenal Congênita (HAC) é um grupo de doenças genéticas autossômicas recessivas que afetam a síntese de hormônios adrenais. A forma mais comum é a deficiência da 21-hidroxilase, que leva à deficiência de cortisol e aldosterona e ao acúmulo de precursores androgênicos. A epidemiologia varia, mas é uma das causas mais comuns de genitália ambígua em meninas e de crise adrenal em ambos os sexos. A importância clínica reside no risco de vida da crise adrenal e nas consequências do excesso androgênico. A crise adrenal neonatal, geralmente manifesta entre 7 e 14 dias de vida, é uma emergência. A fisiopatologia envolve a deficiência de aldosterona, que causa perda de sal (sódio e água) pelos rins, levando a hiponatremia, hipercalemia (embora o potássio possa ser normal no início ou em casos mais leves) e desidratação grave. A deficiência de cortisol contribui para o choque e a acidose metabólica. O diagnóstico é suspeitado pela clínica (desidratação, letargia, vômitos, choque) e pelos achados laboratoriais (hiponatremia, acidose metabólica, potássio normal/elevado). O tratamento da crise adrenal é emergencial e inclui reposição volêmica com soro fisiológico, glicose (para hipoglicemia, se presente) e hidrocortisona intravenosa. O diagnóstico definitivo é feito pela dosagem de 17-hidroxiprogesterona elevada. O prognóstico é bom com tratamento precoce e adequado, mas o manejo a longo prazo envolve reposição hormonal contínua e monitoramento.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas de uma crise adrenal em recém-nascidos?

Os sinais incluem desidratação grave, letargia, vômitos, má alimentação, perda de peso, hipotensão e choque. Em meninas, pode haver genitália ambígua ao nascimento, mas a crise adrenal geralmente se manifesta na segunda semana de vida.

Como a hiperplasia adrenal congênita causa hiponatremia e acidose metabólica?

Na forma perdedora de sal da HAC (deficiência de 21-hidroxilase), há deficiência de aldosterona, que leva à perda renal de sódio e água, resultando em hiponatremia e desidratação. A deficiência de cortisol contribui para o choque e a acidose metabólica.

Quais exames laboratoriais são cruciais para diagnosticar HAC em crise adrenal?

Os exames cruciais incluem eletrólitos (hiponatremia, hipercalemia), gasometria (acidose metabólica), glicemia (pode haver hipoglicemia) e, para confirmação diagnóstica, dosagem de 17-hidroxiprogesterona (elevada na deficiência de 21-hidroxilase).

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