MedEvo Simulado — Prova 2026
A recém-nascida Joana apresenta genitália ambígua identificada logo após o parto. No décimo dia de vida, ela é levada à emergência com quadro de vômitos, desidratação grave e má perfusão periférica. Os exames laboratoriais iniciais revelam sódio de 122 mEq/L, potássio de 7,2 mEq/L e acidose metabólica. Diante da principal suspeita diagnóstica de Hiperplasia Adrenal Congênita por deficiência da enzima 21-hidroxilase, é correto afirmar que, nesta patologia, ocorre:
Deficiência de 21-hidroxilase → ↑ 17-OHP → ↑ Androgênios (Virilização) + ↓ Cortisol/Aldosterona.
O bloqueio enzimático da 21-hidroxilase impede a síntese de cortisol e aldosterona, desviando os precursores para a via androgênica, causando virilização e crise perdedora de sal.
A Hiperplasia Adrenal Congênita (HAC) por deficiência de 21-hidroxilase é uma doença autossômica recessiva que representa mais de 90% dos casos de HAC. A gravidade clínica depende do grau de atividade enzimática residual. Na forma clássica perdedora de sal, a atividade enzimática é mínima, levando à deficiência de glicocorticoides e mineralocorticoides. O aumento do ACTH, por falta de feedback negativo do cortisol, estimula a córtex adrenal, causando hiperplasia e produção excessiva de androgênios. O manejo imediato da crise adrenal envolve reposição volêmica agressiva com soro fisiológico e administração de hidrocortisona intravenosa. O tratamento crônico requer reposição vitalícia de glicocorticoides e mineralocorticoides, além de monitorização rigorosa do crescimento e desenvolvimento puberal.
A enzima 21-hidroxilase é necessária para converter a 17-hidroxiprogesterona (17-OHP) em 11-desoxicortisol e a progesterona em 11-desoxicorticosterona. Quando há deficiência, esses precursores se acumulam e são desviados para a via de síntese dos androgênios adrenais. Em fetos do sexo feminino, esse excesso de androgênios durante o desenvolvimento genital causa a virilização e ambiguidade genital observada ao nascimento.
A crise perdedora de sal é consequência da deficiência grave de aldosterona. Sem aldosterona, os rins não conseguem reabsorver sódio nem excretar potássio adequadamente nos túbulos distais. Isso resulta em hiponatremia profunda, hipercalemia, acidose metabólica e desidratação hipovolêmica grave, geralmente manifestando-se entre a 1ª e 2ª semana de vida.
O diagnóstico baseia-se na dosagem elevada de 17-hidroxiprogesterona (17-OHP) no sangue, que é o marcador clássico da doença e faz parte do Teste do Pezinho. Além disso, observam-se níveis baixos de cortisol, níveis elevados de ACTH, aumento da atividade da renina plasmática e distúrbios eletrolíticos característicos (hiponatremia e hipercalemia).
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