HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2022
Uma paciente de 53 anos de idade, obesa, portadora de diabetes mellitus tipo 2, procurou atendimento médico com resultado de exame laboratorial mostrando valor sérico reduzido de 25-hidroxi-vitamina D. A paciente negou sintomas e relatou estar em uso de orlistate 120 mg (três vezes ao dia) há seis meses, além de metformina, 1 g ao dia, há cinco anos. Com base nesse caso hipotético, considerando o posicionamento da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, julgue o item. A deficiência de vitamina D da paciente pode estar acompanhada de elevação da concentração sérica de paratormônio, o que aumenta o risco de fraturas.
↓ Vit D → ↓ Cálcio → ↑ PTH (Hiperpara secundário) → ↑ Reabsorção óssea → ↑ Risco de fratura.
A deficiência de vitamina D reduz a absorção intestinal de cálcio, levando ao hiperparatireoidismo secundário para manter a calcemia, o que desmineraliza o osso e eleva o risco de fraturas.
A vitamina D desempenha um papel crucial na homeostase do cálcio e na saúde esquelética. Em pacientes obesos, a vitamina D pode estar sequestrada no tecido adiposo, e o uso de fármacos como o orlistate agrava o quadro por má absorção. O diagnóstico de deficiência é feito pela dosagem de 25(OH)D. O hiperparatireoidismo secundário é uma resposta fisiológica compensatória à hipocalcemia ou baixa oferta de cálcio/vitamina D. O tratamento foca na reposição de colecalciferol para atingir níveis alvo (geralmente >30 ng/mL em grupos de risco) e garantir aporte adequado de cálcio, prevenindo complicações ósseas a longo prazo.
O Orlistate é um inibidor das lipases gastrointestinais, reduzindo a absorção de gorduras da dieta em cerca de 30%. Como a Vitamina D é uma vitamina lipossolúvel, sua absorção depende da digestão e absorção concomitante de gorduras. O uso crônico de Orlistate pode, portanto, levar a estados de hipovitaminose D, exigindo monitoramento e eventual suplementação em pacientes sob tratamento para obesidade, especialmente aqueles com comorbidades como diabetes mellitus tipo 2.
A Vitamina D (em sua forma ativa) é essencial para a absorção intestinal de cálcio. Quando os níveis de 25-hidroxivitamina D estão baixos, a absorção de cálcio diminui, tendendo a reduzir a calcemia. As glândulas paratireoides detectam essa queda e aumentam a secreção de PTH (hiperparatireoidismo secundário) para mobilizar cálcio dos ossos e aumentar a reabsorção renal, visando normalizar os níveis séricos de cálcio às custas da densidade mineral óssea.
O aumento crônico do PTH promove a ativação de osteoclastos, resultando em aumento da reabsorção óssea e perda de massa mineral. Isso fragiliza a microarquitetura óssea, aumentando significativamente o risco de osteopenia, osteoporose e, consequentemente, fraturas por fragilidade, mesmo em pacientes que não apresentam sintomas clássicos de hipocalcemia, tornando o rastreio laboratorial fundamental em grupos de risco.
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