SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Homem, 59 anos de idade, em hemodiálise há 18 meses devido à doença renal crônica secundária à diabetes mellitus tipo 2. Durante os últimos três meses vem se queixando de fadiga crescente, câimbras musculares e dor óssea. Exames laboratoriais revelam hemoglobina: 8,9 g/dL, PTH intacto: 850 pg/mL, cálcio sérico: 7,8 mg/dL, fósforo: 6,1 mg/dL.\n\nO manejo inicial mais adequado em relação às queixas atuais desse paciente envolve o uso de:
DRC + PTH ↑ + Ca ↓ + P ↑ → Calcitriol + Reposição de Cálcio + Cinacalcete.
O manejo do hiperparatireoidismo secundário na DRC foca no controle do fósforo, normalização do cálcio e supressão direta do PTH.
O distúrbio mineral e ósseo da doença renal crônica (DMO-DRC) é uma síndrome sistêmica que envolve alterações bioquímicas, anomalias ósseas e calcificações extraesqueléticas. O hiperparatireoidismo secundário é um componente central, onde a hiperplasia das paratireoides leva à secreção excessiva de PTH para tentar manter a homeostase do cálcio e fósforo.\n\nO tratamento clínico inicial baseia-se na restrição dietética de fósforo e uso de quelantes (como sevelâmer ou carbonato de cálcio). Se o PTH permanecer elevado, associa-se calcitriol (vitamina D ativa) para supressão direta da glândula. O cinacalcete entra como terapia adjuvante potente para reduzir o PTH sem elevar o produto cálcio-fósforo, prevenindo a osteodistrofia renal.
O aumento do PTH na DRC é uma resposta adaptativa à hipocalcemia, hiperfosfatemia e deficiência de calcitriol (vitamina D ativa). A perda da função renal reduz a excreção de fósforo e a atividade da enzima 1-alfa-hidroxilase, resultando em menor produção de calcitriol, o que diminui a absorção intestinal de cálcio e remove o feedback negativo sobre as glândulas paratireoides.
O cinacalcete é um agente calcimimético que aumenta a sensibilidade dos receptores sensores de cálcio (CaSR) nas glândulas paratireoides. Isso permite a supressão da secreção de PTH mesmo em níveis de cálcio sérico mais baixos, sendo particularmente útil em pacientes com hiperparatireoidismo grave que não toleram doses altas de vitamina D devido à hipercalcemia ou hiperfosfatemia.
Em pacientes em diálise (estágio 5D), as diretrizes do KDIGO sugerem manter os níveis de PTH intacto entre 2 a 9 vezes o limite superior da normalidade do método. O cálcio e o fósforo devem ser mantidos o mais próximo possível da normalidade, priorizando evitar a hiperfosfatemia persistente, que está associada à calcificação vascular e mortalidade cardiovascular.
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