Hiperparatireoidismo Primário Normocalcêmico: Diagnóstico

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2020

Enunciado

Paciente procura atendimento médico por nefrolitíase de repetição. Nega uso de qualquer medicação, bem como qualquer doença de base. Durante a investigação, os exames laboratoriais demonstraram PTH sérico discretamente elevado, com concentrações plasmáticas de cálcio e fósforo normais, creatinina 0,9 mg/dL e vitamina D 34 ng/mL. Com base nesses achados, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o diagnóstico mais provável.

Alternativas

  1. A) Hiperparatireoidismo primário normocalcêmico.
  2. B) Hiperparatireoidismo secundário à doença renal.
  3. C) Hiperparatireoidismo por deficiência de vitamina D.
  4. D) Pseudo-hipoparatireoidismo.
  5. E) Pseudopseudo-hipoparatireoidismo.

Pérola Clínica

PTH elevado + cálcio normal + nefrolitíase + Vit D suficiente → Hiperparatireoidismo Primário Normocalcêmico.

Resumo-Chave

O hiperparatireoidismo primário normocalcêmico é caracterizado por níveis elevados de PTH com cálcio sérico total e iônico persistentemente normais, sendo uma causa importante de nefrolitíase de repetição e osteopenia, exigindo investigação e acompanhamento.

Contexto Educacional

O hiperparatireoidismo primário (HPP) é uma desordem endócrina comum, caracterizada pela secreção excessiva e autônoma de paratormônio (PTH) por uma ou mais glândulas paratireoides. Tradicionalmente, é associado à hipercalcemia. No entanto, o hiperparatireoidismo primário normocalcêmico (HPPN) é uma variante cada vez mais reconhecida, onde os níveis de PTH estão elevados, mas o cálcio sérico total e iônico permanecem dentro da faixa de normalidade. O diagnóstico de HPPN exige a exclusão de causas secundárias de hiperparatireoidismo, como deficiência de vitamina D, insuficiência renal crônica e uso de diuréticos tiazídicos. A fisiopatologia envolve uma disfunção primária da glândula paratireoide, geralmente um adenoma, que secreta PTH de forma inadequada. As manifestações clínicas podem ser sutis, incluindo nefrolitíase de repetição, osteopenia ou osteoporose, fadiga e distúrbios neurocognitivos, mesmo na ausência de hipercalcemia. O manejo do HPPN é controverso, mas pacientes sintomáticos ou com evidências de dano em órgãos-alvo (como nefrolitíase ou osteoporose) podem se beneficiar da paratireoidectomia. O acompanhamento clínico e laboratorial regular é essencial para monitorar a progressão da doença e a ocorrência de hipercalcemia. A vitamina D deve ser otimizada antes de firmar o diagnóstico de HPPN.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para hiperparatireoidismo primário normocalcêmico?

Os critérios incluem níveis persistentemente elevados de PTH, cálcio sérico total e iônico normais em múltiplas medições, função renal normal e exclusão de causas secundárias de hiperparatireoidismo, como deficiência de vitamina D.

Por que a nefrolitíase é uma manifestação comum do hiperparatireoidismo primário normocalcêmico?

Mesmo com cálcio sérico normal, pode haver hipercalciúria devido à ação do PTH nos túbulos renais, aumentando a excreção de cálcio na urina e predispondo à formação de cálculos.

Como diferenciar hiperparatireoidismo primário normocalcêmico de hiperparatireoidismo secundário?

A principal diferença é que no primário normocalcêmico, o cálcio sérico é normal, enquanto no secundário, o PTH eleva-se em resposta a uma hipocalcemia ou deficiência de vitamina D, que devem ser corrigidas para reavaliar o PTH.

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