Hipercalcemia e Nefrolitíase: Investigação de PTH

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016

Enunciado

Uma mulher com 43 anos de idade foi encaminhada ao ambulatório de especialidades pelo médico de família que a acompanha na Unidade Básica de Saúde. Consta, na guia de referência, que a paciente vem apresentando episódios de nefrolitíase de repetição. Na primeira e na segunda crise, foi diagnosticada, por meio de ultrassonografia das vias urinárias, a presença de cálculos na pelve renal direita, que mediam, respectivamente, 1 mm e 2 mm, e que foram expelidos. O último episódio (terceiro) aconteceu há cerca de 15 dias, sem que houvesse resolução espontânea do quadro nem alívio dos sintomas. O médico especialista que atendeu a paciente solicitou urotomografia, cujo resultado demonstrou a presença de cálculo renal direito, medindo 4 mm. Os exames solicitados mostraram: sódio = 137 mEq/L (valor de referência = 132 a 146 mEq/L); potássio = 3,8 mEq/L (valor de referência = 3,5 a 5,5 mEq/L); cálcio total = 12,4 mg/dL (valor de referência = 8,3 a 10,6 mg/dL); ácido úrico = 3,4 mg/dL (valor de referência = 2,6 a 6,0 mg/dL); creatinina = 0,8 mg/dL (valor de referência = 0,53 a 1,0 mg/dL). Diante do quadro clínico descrito acima, a conduta adequada é:

Alternativas

  1. A) Recomendar que a paciente mantenha boa hidratação, observe a diurese e utilize analgésico, explicando que cálculos renais menores do que 4 mm geralmente são expelidos espontaneamente.
  2. B) Solicitar a realização de exame de proteinúria de 24 horas, que é suficiente para detectar a presença de cristais de cistina na urina (cistinúria), causa mais provável da nefrolitíase de repetição observada na paciente.
  3. C) Investigar a presença de hipercalcemia, com a dosagem do paratormônio (PTH), para exclusão de hiperparatireoidismo primário e, se o PTH for normal, pesquisar outras causas de hipercalcemia, como mieloma múltiplo.
  4. D) Solicitar a realização de exames de proteinúria de 24 horas e exame de urina de rotina, para detectar a ocorrência de pH urinário alcalino, que aumenta a possibilidade de formação de cálculos renais por oxalato de cálcio.

Pérola Clínica

Nefrolitíase de repetição + Hipercalcemia → Dosar PTH para excluir Hiperparatireoidismo Primário.

Resumo-Chave

A presença de hipercalcemia em pacientes com litíase urinária recorrente exige a investigação de hiperparatireoidismo primário através da dosagem do PTH.

Contexto Educacional

O hiperparatireoidismo primário (HPP) é caracterizado pela secreção excessiva de PTH, levando a hipercalcemia e hipercalciúria, o que predispõe à formação de cálculos de oxalato e fosfato de cálcio. Em pacientes com litíase de repetição, a avaliação metabólica é crucial. A conduta diagnóstica inicial perante uma hipercalcemia confirmada é a dosagem do PTH intacto. Se elevado ou inapropriadamente normal, confirma-se o HPP. Caso o PTH esteja suprimido, deve-se investigar causas de hipercalcemia PTH-independente, como malignidades (mieloma múltiplo, metástases ósseas) ou sarcoidose.

Perguntas Frequentes

Qual a principal causa de hipercalcemia ambulatorial?

O hiperparatireoidismo primário é a causa mais comum de hipercalcemia em pacientes ambulatoriais, frequentemente diagnosticado durante a investigação de nefrolitíase ou em exames de rotina.

Quando suspeitar de hiperparatireoidismo na litíase renal?

Deve-se suspeitar sempre que houver cálculos bilaterais, recorrentes ou quando o cálcio sérico estiver acima do limite superior da normalidade.

Quais exames solicitar após detectar cálcio elevado?

O primeiro passo é a dosagem do PTH (paratormônio) para verificar se a hipercalcemia é dependente ou independente de PTH.

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