Hiperparatireoidismo Primário: Causa de Litíase Renal Recorrente

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2024

Enunciado

Homem, 42 anos de idade, tem história de litíase renal de repetição iniciada há 8 anos. O último evento faz 6 meses, com necessidade de ureterolitotripsia endoscópica. Não havia realizado estudo metabólico previamente. Exame físico: peso = 80 kg, altura = 1,72 m, PA = 122/78 mmHg. Exames: creatinina = 0,8 mg/dl, potássio = 4,8 mEq/l, cálcio total = 12,4 mg/dl, fósforo = 2,4 mg/dl; urina 1 = normal. Urina de 24 horas: sódio = 92 mEq, cálcio = 416 mg, citrato = 318 mg. Qual é a etiologia mais provável para a litíase de repetição neste caso?

Alternativas

  1. A) Hipercalciúria idiopática.
  2. B) Hipocitratúria primária.
  3. C) Hiperparatireoidismo primário.
  4. D) Acidose tubular renal.

Pérola Clínica

Litíase renal de repetição + Hipercalcemia + Hipofosfatemia + Hipercalciúria → Hiperparatireoidismo primário.

Resumo-Chave

A combinação de litíase renal de repetição com hipercalcemia (cálcio sérico elevado), hipofosfatemia (fósforo sérico baixo) e hipercalciúria (cálcio urinário elevado) é altamente sugestiva de hiperparatireoidismo primário. Nesses casos, a elevação do paratormônio (PTH) confirmaria o diagnóstico, que frequentemente é causado por um adenoma de paratireoide.

Contexto Educacional

A litíase renal de repetição é um problema comum e frustrante para pacientes e médicos, exigindo uma investigação metabólica completa para identificar a causa subjacente e prevenir novos episódios. O hiperparatireoidismo primário é uma causa importante e tratável de litíase renal, e seu diagnóstico é crucial para evitar complicações a longo prazo. O residente deve estar atento aos sinais e sintomas dessa condição. A fisiopatologia do hiperparatireoidismo primário envolve a produção excessiva e autônoma de paratormônio (PTH), geralmente por um adenoma de paratireoide. O PTH elevado causa hipercalcemia através do aumento da reabsorção óssea de cálcio, aumento da reabsorção tubular renal de cálcio e aumento da síntese de vitamina D ativa, que por sua vez aumenta a absorção intestinal de cálcio. A hipercalcemia e a hipercalciúria resultantes predispõem à formação de cálculos renais de cálcio. A hipofosfatemia ocorre devido ao efeito fosfatúrico do PTH nos túbulos renais. O diagnóstico é estabelecido pela presença de hipercalcemia e níveis elevados ou inapropriadamente normais de PTH. O estudo metabólico da urina de 24 horas, que revela hipercalciúria, corrobora o diagnóstico e a associação com a litíase. O tratamento definitivo para o hiperparatireoidismo primário é a paratireoidectomia, que geralmente cura a hipercalcemia e reduz significativamente a recorrência de cálculos renais. O manejo clínico inclui hidratação adequada, dieta com baixo teor de sódio e, em alguns casos, diuréticos tiazídicos. A identificação precoce e o tratamento são essenciais para prevenir a progressão da doença óssea, renal e outras manifestações sistêmicas da hipercalcemia crônica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados laboratoriais que sugerem hiperparatireoidismo primário em um paciente com litíase renal?

Os principais achados laboratoriais incluem hipercalcemia (cálcio sérico elevado), hipofosfatemia (fósforo sérico baixo) e hipercalciúria (cálcio urinário de 24 horas elevado). A confirmação diagnóstica é feita pela dosagem de paratormônio (PTH) que estará elevado ou inapropriadamente normal para o nível de cálcio sérico.

Como o hiperparatireoidismo primário leva à formação de cálculos renais?

O hiperparatireoidismo primário causa hipercalcemia e hipercalciúria devido ao excesso de PTH, que aumenta a reabsorção óssea de cálcio e a reabsorção tubular renal de cálcio, mas também a excreção urinária. A hipercalciúria é o principal fator de risco para a formação de cálculos de oxalato de cálcio, o tipo mais comum de cálculo renal.

Qual a conduta inicial após o diagnóstico de hiperparatireoidismo primário em um paciente com litíase renal?

Após o diagnóstico, a conduta inicial envolve a avaliação da necessidade de paratireoidectomia, que é o tratamento curativo para o hiperparatireoidismo primário sintomático ou com critérios de indicação cirúrgica. Além disso, medidas para prevenir a formação de cálculos, como aumento da ingestão hídrica e restrição de sódio na dieta, são importantes.

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