USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019
Mulher, 66 anos, queixa-se de fraqueza e litíase renal de repetição. Nega fraturas. Exame Físico: BEG, corada, hidratada, afebril, tireoide normopalpável. FC: 76 bpm; PA: 140x80 mmHg.Exames laboratoriais: glicemia:94mg/dL; sódio: 139 mEq/L; potássio: 4,2 mEq/L; creatinina: 0,9 mg/dL; Ca total: 11,5 mg/dL (VN: 8,5-10,5); Albumina sérica: 3,9 g/dL (VN: 3,5-4,8); Fósforo inorgânico: 2,6 mg/dL (VN:4-7), PTH: 130 pg/mL (VN: 14,5-87).Densitometria mineral óssea: T score= -3 SD em coluna lombar e -2,8 SD em colo fêmur.Qual é a conduta mais apropriada?
Hipercalcemia + PTH ↑ + fósforo ↓ + litíase renal/osteoporose → Hiperparatireoidismo primário. Investigar adenoma.
A paciente apresenta hipercalcemia, hipofosfatemia e PTH elevado, quadro clássico de hiperparatireoidismo primário, agravado por litíase renal de repetição e osteoporose (T-score -3 SD). A conduta inicial mais apropriada é localizar a glândula paratireoide hiperfuncionante, geralmente um adenoma, para possível paratireoidectomia, sendo a cintilografia de paratireoide com Sestamibi o exame de imagem de escolha.
O hiperparatireoidismo primário (HPP) é um distúrbio endócrino comum, caracterizado pela secreção excessiva e autônoma de paratormônio (PTH) por uma ou mais glândulas paratireoides, resultando em hipercalcemia. A prevalência aumenta com a idade, sendo mais comum em mulheres pós-menopausa. Sua importância clínica reside nas complicações a longo prazo, como osteoporose, litíase renal, insuficiência renal e sintomas neuropsiquiátricos, que podem ser prevenidos com o diagnóstico e tratamento adequados. A fisiopatologia envolve a hiperfunção de uma ou mais glândulas paratireoides, geralmente devido a um adenoma solitário (80-85% dos casos), hiperplasia (10-15%) ou, raramente, carcinoma (<1%). O excesso de PTH leva ao aumento da reabsorção óssea, da reabsorção tubular renal de cálcio e da síntese de vitamina D ativa, resultando em hipercalcemia e hipofosfatemia. O diagnóstico é laboratorial, com cálcio sérico elevado e PTH elevado ou inapropriadamente normal. A conduta para HPP sintomático ou com critérios de gravidade (como a paciente do caso, com litíase renal e osteoporose grave) é a paratireoidectomia. Antes da cirurgia, é essencial localizar a glândula hiperfuncionante, sendo a cintilografia de paratireoide com Sestamibi o método de imagem de escolha, muitas vezes complementada por ultrassonografia cervical. O tratamento cirúrgico é curativo na maioria dos casos, aliviando os sintomas e prevenindo complicações futuras. O manejo da vitamina D e a monitorização pós-operatória do cálcio são cruciais.
O diagnóstico de hiperparatireoidismo primário é estabelecido pela presença de hipercalcemia persistente (cálcio sérico total ou iônico elevado) e níveis de PTH (paratormônio) elevados ou inapropriadamente normais, na ausência de outras causas de hipercalcemia.
A cintilografia de paratireoide com Sestamibi é o exame de imagem de escolha para localizar o adenoma de paratireoide hiperfuncionante. É crucial para guiar o cirurgião na paratireoidectomia minimamente invasiva, aumentando a taxa de sucesso e reduzindo complicações.
As manifestações clínicas incluem 'ossos, pedras, gemidos e queixumes': osteoporose e fraturas (ossos), litíase renal e nefrocalcinose (pedras), sintomas gastrointestinais como náuseas e constipação (gemidos), e sintomas neuropsiquiátricos como fadiga, fraqueza, depressão e confusão (queixumes).
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