SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2022
Um paciente de 60 anos de idade, proveniente da índia, foi atendido no pronto-socorro por alteração do status mental, humor deprimido e mudança de comportamento. Além disso, ele apresentava dor óssea. Exames bioquímicos indicaram o nível de PTH 20 vezes acima do valor de referência. A função renal mostrou-se preservada; SatO2 = 97% em ar ambiente; FC = 86 bpm; e PA =120 mmHg x 84 mmHg. TC de pelve foi realizado, conforme imagem a seguir.Fonte: uptodateA respeito desse caso clínico e tendo em vista os conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.Por causa da alteração de humor depressivo, o ideal é iniciar com lítio e risperidona em doses baixas.
Hiperparatireoidismo grave com alteração mental → investigar causa metabólica antes de psicofármacos.
A alteração do status mental e humor deprimido em um paciente com hiperparatireoidismo primário grave (PTH muito elevado, dor óssea) são manifestações neurológicas e psiquiátricas da hipercalcemia crônica. O tratamento deve focar na causa subjacente (paratiroidectomia), não primariamente em psicofármacos como lítio e risperidona, que podem ter efeitos colaterais ou interações.
O hiperparatireoidismo primário é uma condição endócrina caracterizada pela secreção excessiva de paratormônio (PTH) por uma ou mais glândulas paratireoides, resultando em hipercalcemia. É mais comum em mulheres pós-menopausa, mas pode ocorrer em qualquer idade. A apresentação clínica é variada, desde assintomática até manifestações graves como nefrolitíase, osteíte fibrosa cística (dor óssea, lesões císticas nos ossos) e sintomas neuropsiquiátricos. A fisiopatologia envolve a ação do PTH no osso (reabsorção), rim (reabsorção de cálcio e excreção de fosfato) e intestino (indiretamente, via vitamina D), elevando o cálcio sérico. A hipercalcemia crônica afeta o sistema nervoso central, causando sintomas como depressão, fadiga, confusão e, em casos extremos, coma. O diagnóstico é feito pela tríade de hipercalcemia, PTH elevado e função renal normal. O tratamento definitivo para o hiperparatireoidismo primário sintomático é a paratiroidectomia. A correção da hipercalcemia geralmente leva à melhora dos sintomas neuropsiquiátricos. O uso de psicofármacos como lítio e risperidona não é a abordagem inicial, pois não trata a causa e o lítio, em particular, pode agravar a hipercalcemia. O manejo psiquiátrico deve ser considerado apenas após a correção do distúrbio metabólico e se os sintomas persistirem.
O hiperparatireoidismo, especialmente com hipercalcemia significativa, pode causar fadiga, letargia, depressão, ansiedade, dificuldade de concentração e, em casos graves, confusão mental e psicose. Esses sintomas geralmente melhoram com a normalização dos níveis de cálcio.
A conduta inicial deve focar na correção da hipercalcemia e tratamento do hiperparatireoidismo subjacente, geralmente por paratiroidectomia. A melhora dos sintomas psiquiátricos ocorre com a normalização dos níveis de cálcio, tornando o uso de psicofármacos desnecessário na maioria dos casos.
Lítio e risperidona são psicofármacos que não tratam a causa metabólica. Além disso, o lítio pode exacerbar a hipercalcemia e o hiperparatireoidismo, e a risperidona pode ter efeitos colaterais indesejáveis em pacientes já comprometidos metabolicamente, sem resolver a causa primária dos sintomas.
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