UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2022
Mulher, 66 anos, está em avaliação de hipercalcemia assintomática. Exames laboratoriais: cálcio corrigido pela albumina = 10,7mg/dL (valor de referência = 8,5 - 10,5mg/dL); fósforo = 2,6mg/dL (valor de referência = 2,5 - 4,5mg/dL); creatinina = 0,7mg/dL; paratormônio = 102pg/mL (valor de referência = 12 - 65pg/mL). Pode-se afirmar, em relação a esta paciente, que:
Hiperparatireoidismo primário assintomático: mesmo sem sintomas, investigar nefrolitíase e osteoporose.
Em pacientes com hiperparatireoidismo primário assintomático, a avaliação de complicações como nefrolitíase e osteoporose é fundamental. A pesquisa de nefrolitíase, mesmo na ausência de sintomas, é uma indicação para cirurgia ou acompanhamento rigoroso.
O hiperparatireoidismo primário é uma condição endócrina caracterizada pela secreção excessiva e autônoma de paratormônio (PTH) por uma ou mais glândulas paratireoides, resultando em hipercalcemia. Embora muitos pacientes sejam diagnosticados incidentalmente e permaneçam assintomáticos por anos, a doença pode levar a complicações significativas em órgãos-alvo, como ossos e rins. A epidemiologia mostra uma maior prevalência em mulheres pós-menopausa. O diagnóstico é confirmado pela tríade de hipercalcemia, PTH elevado ou inapropriadamente normal e fósforo sérico baixo ou normal. A fisiopatologia envolve o PTH estimulando a reabsorção óssea, a reabsorção tubular renal de cálcio e a síntese de vitamina D, que por sua vez aumenta a absorção intestinal de cálcio. A avaliação inicial deve incluir cálcio sérico corrigido, PTH, fósforo, creatinina e vitamina D. Mesmo em pacientes assintomáticos, a investigação de complicações é crucial. Isso inclui densitometria óssea para avaliar osteoporose e exames de imagem renais (ultrassonografia ou tomografia) para pesquisa de nefrolitíase ou nefrocalcinose, que podem estar presentes sem sintomas. A paratireoidectomia é o único tratamento curativo e é indicada com base em critérios específicos, como hipercalcemia significativa, disfunção renal, osteoporose ou presença de nefrolitíase, mesmo que assintomática.
O diagnóstico é estabelecido pela presença de hipercalcemia persistente (cálcio sérico corrigido elevado) acompanhada de níveis de paratormônio (PTH) elevados ou inapropriadamente normais.
As indicações incluem cálcio sérico > 1 mg/dL acima do limite superior do normal, clearence de creatinina < 60 mL/min, densitometria óssea com T-score < -2,5 em qualquer sítio, idade < 50 anos e presença de nefrolitíase ou nefrocalcinose.
A nefrolitíase é uma complicação comum do hiperparatireoidismo primário devido à hipercalciúria e pode ser assintomática por longos períodos. Sua detecção é uma indicação para paratireoidectomia e pode prevenir danos renais futuros.
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