Hiperparatireoidismo Primário: Diagnóstico e Manifestações

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2025

Enunciado

Em relação ao hiperparatireoidismo primário, avalie se as afirmativas são verdadeiras (V) ou falsas (F) e assinale a sequência correspondente: ( ) A elevação do paratormônio circulante leva à hipercalcemia e à hipofosfatemia com uma grande variedade de manifestações clínicas, incluindo nefrolitíase, úlcera péptica, alteração mental e reabsorção óssea. ( ) Frequentemente, o hiperparatireoidismo se desenvolve ou piora abruptamente e causa complicações graves, como desidratação acentuada e coma, a chamada crise hipercalcêmica da paratireoide. ( ) Uma única glândula anormal é a causa na maioria dos pacientes, geralmente um adenoma e raramente um carcinoma de paratireoide. ( ) As alterações radiográficas da osteíte fibrosa cística incluem a reabsorção dos tufos falangeanos e a reabsorção subperiosteal.

Alternativas

  1. A) V - F - V - V.
  2. B) F - V - F - V.
  3. C) V - V- F - F.
  4. D) F - F - V - F.

Pérola Clínica

PTH ↑ + Cálcio ↑ + Fosfato ↓ = Hiperparatireoidismo Primário (geralmente adenoma único).

Resumo-Chave

O hiperparatireoidismo primário causa hipercalcemia por secreção excessiva de PTH, resultando em manifestações multissistêmicas e alterações ósseas clássicas como a reabsorção subperiosteal.

Contexto Educacional

O hiperparatireoidismo primário (HPP) é uma desordem endócrina comum, caracterizada pela produção autônoma de paratormônio (PTH). A fisiopatologia envolve o aumento da reabsorção óssea, aumento da absorção intestinal de cálcio (via vitamina D) e aumento da reabsorção renal de cálcio, levando à hipercalcemia. Simultaneamente, o PTH inibe a reabsorção de fosfato nos túbulos proximais, causando hipofosfatemia. A etiologia mais frequente é o adenoma solitário de paratireoide. O diagnóstico é bioquímico, demonstrando cálcio total ou iônico elevado com PTH inapropriadamente normal ou elevado. O tratamento definitivo é a paratireoidectomia, indicada para pacientes sintomáticos ou aqueles que preenchem critérios específicos de idade, função renal ou densidade óssea reduzida.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais manifestações clínicas do hiperparatireoidismo primário?

As manifestações são classicamente descritas pela frase 'bones, stones, abdominal groans, and psychic moans'. Isso inclui nefrolitíase (pedras nos rins devido à hipercalciúria), dores ósseas e fraturas patológicas (osteíte fibrosa cística), sintomas gastrointestinais como constipação, náuseas e úlcera péptica (o cálcio estimula a gastrina), além de alterações neuropsiquiátricas que variam de fadiga e depressão até confusão mental e coma em casos de hipercalcemia grave.

O que caracteriza a osteíte fibrosa cística no raio-X?

A osteíte fibrosa cística é a manifestação óssea clássica do hiperparatireoidismo grave e prolongado. Radiograficamente, caracteriza-se por reabsorção subperiosteal (especialmente nas faces radiais das falanges médias), reabsorção dos tufos falangeanos distais, aspecto de 'sal e pimenta' no crânio e a presença de tumores castanhos (lesões líticas que mimetizam neoplasias, mas são acúmulos de osteoclastos e tecido fibroso). Embora menos comum hoje devido ao diagnóstico precoce, ainda é um marcador importante de doença avançada.

O que é a crise hipercalcêmica da paratireoide?

A crise hipercalcêmica é uma emergência médica caracterizada por níveis de cálcio sérico muito elevados (geralmente > 14-15 mg/dL). Ela pode ocorrer de forma súbita em pacientes com hiperparatireoidismo primário conhecido ou ser a primeira manifestação. Os sintomas incluem desidratação severa (devido ao diabetes insípidus nefrogênico induzido pelo cálcio), insuficiência renal aguda, arritmias cardíacas (encurtamento do intervalo QT) e alteração profunda do nível de consciência, exigindo hidratação vigorosa e tratamento imediato.

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