UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2026
Homem de 62 anos, tabagista prévio e etilista social, apresenta histórico de carcinoma de pulmão tratado há 5 anos, atualmente em acompanhamento oncológico por neoplasia de próstata com metástases ósseas documentadas em coluna lombar e fêmur direito. É levado ao pronto-socorro pela família devido a quadro de fadiga intensa, inapetência, náuseas e episódios de vômitos nas últimas três semanas, associados a constipação e dor óssea difusa. Ao exame físico, encontra-se emagrecido, discretamente desidratado e com dor à palpação em quadril e coluna lombar. Exames laboratoriais: Potássio (K): 4,6 (VR 3,5–5,5) Sódio (Na): 141 (VR 135–145) Cálcio iônico (Ca2+): 1,57 (VR 1,12–1,32) Fósforo (P): 2,7 (VR 3,5–4,5) Hemoglobina (Hb): 13,1 (VR 13–15) Leucócitos: 8.200 (VR 4.500–10.000) TGO: 40 (VR até 45) TGP: 38 (VR até 40) PTH: 225 (VR 15–65) Albumina: 3,3 (VR 3,5–5,0) A hipercalcemia foi confirmada em nova coleta. Qual o mecanismo responsável pela hipercalcemia e sua provável etiologia?
Hipercalcemia + PTH elevado + Fósforo baixo = Hiperparatireoidismo primário (adenoma).
A presença de hipercalcemia com níveis elevados de PTH e fósforo baixo, mesmo em paciente oncológico com metástases ósseas, sugere fortemente hiperparatireoidismo primário, geralmente causado por um adenoma de paratireoide, e não hipercalcemia da malignidade por PTHrP ou metástases osteolíticas.
A hipercalcemia é uma complicação comum em pacientes com câncer, sendo a hipercalcemia da malignidade (HCM) a causa mais frequente. No entanto, é crucial considerar outras etiologias, como o hiperparatireoidismo primário (HPP), mesmo em pacientes oncológicos. A distinção entre HCM e HPP é fundamental para o manejo adequado, pois as abordagens terapêuticas são distintas. A HCM geralmente se manifesta com PTH suprimido ou baixo, enquanto o HPP é caracterizado por PTH elevado ou inapropriadamente normal em face da hipercalcemia, além de hipofosfatemia. No caso apresentado, a elevação do PTH em conjunto com a hipercalcemia e hipofosfatemia aponta para um hiperparatireoidismo primário, provavelmente devido a um adenoma de paratireoide, coexistindo com a doença oncológica. As metástases ósseas, embora presentes, não justificam o PTH elevado. A identificação correta da causa da hipercalcemia é vital para o tratamento eficaz dos sintomas e para evitar complicações a longo prazo, melhorando a qualidade de vida do paciente.
Na hipercalcemia da malignidade, o PTH é geralmente suprimido ou baixo, enquanto no hiperparatireoidismo primário, o PTH está elevado ou inapropriadamente normal para o nível de cálcio sérico, frequentemente com hipofosfatemia.
Os principais mecanismos são: produção de PTHrP (peptídeo relacionado ao paratormônio), metástases ósseas osteolíticas e, menos comum, produção de 1,25-di-hidroxivitamina D por linfomas.
Sintomas incluem fadiga, náuseas, vômitos, constipação, poliúria, polidipsia e alterações neurológicas. O tratamento depende da causa e gravidade, podendo incluir hidratação venosa, bifosfonatos, calcitonina e, se HPP, paratireoidectomia.
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