Hiperparatireoidismo Primário: Critérios Cirúrgicos em Assintomáticos

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023

Enunciado

Uma paciente com 57 anos, assintomática, foi submetida a exames complementares iniciais de check-up que revelaram a presença de hipercalcemia leve a moderada (11,5 mg/dL – valor de referência [VR]: 8,0-10,5 mg/dL), sendo referenciada para ambulatório de endocrinologia de um hospital terciário. Ao ser atendida nesse serviço, foi solicitada a dosagem de PTH (paratormônio), cujo resultado revelou-se aumentado (189 pg/mL - VR: 10-65 pg/mL). Considerada a hipótese diagnóstica principal, foram realizados outros exames complementares que revelaram os seguintes achados: ultrassonografia abdominal com cálculos em cálices renais e aspecto de nefrocalcinose bilateral, além da presença de colelitíase em vesícula biliar; densitometria óssea com escore-T menor que - 2,5 em coluna lombar e colo femural; calciúria de 600 mg em 24 horas. Com vistas a possível ressecção cirúrgica minimamente invasiva de lesão adenomatosa, é feito um exame de SPECT com Tc-sestamibi, que revela hipercaptação nodular de cerca de 2,5 cm na base do pescoço, à direita.Considerando-se esse contexto, que dado é indicativo de intervenção cirúrgica, mesmo estando a paciente assintomática?

Alternativas

  1. A) O desenvolvimento de colelitíase.
  2. B) A idade superior a 50 anos da paciente.
  3. C) O tamanho do nódulo cervical ao exame SPECT.
  4. D) O escore T menor que -2,5 na densitometria óssea.

Pérola Clínica

Hiperparatireoidismo primário + escore-T < -2,5 na densitometria óssea = Indicação cirúrgica, mesmo assintomático.

Resumo-Chave

A presença de osteoporose (escore-T menor que -2,5 na densitometria óssea) é uma indicação clara para paratireoidectomia em pacientes com hiperparatireoidismo primário, mesmo que assintomáticos. Outros achados como cálculos renais e calciúria elevada também reforçam a necessidade de intervenção.

Contexto Educacional

O hiperparatireoidismo primário é uma condição endócrina comum caracterizada pela secreção excessiva de paratormônio (PTH) por uma ou mais glândulas paratireoides, levando à hipercalcemia. A maioria dos casos é causada por um adenoma solitário. Embora muitos pacientes sejam assintomáticos no momento do diagnóstico, a doença pode ter consequências significativas a longo prazo, como osteoporose, nefrolitíase e doença renal crônica. A prevalência aumenta com a idade, sendo mais comum em mulheres pós-menopausa. O diagnóstico é confirmado pela presença de hipercalcemia e PTH elevado ou inapropriadamente normal. A fisiopatologia envolve o PTH estimulando a reabsorção óssea, a reabsorção renal de cálcio e a síntese de vitamina D, resultando em aumento do cálcio sérico. O diagnóstico de hiperparatireoidismo primário assintomático requer uma avaliação cuidadosa para identificar pacientes que se beneficiarão da cirurgia. Os critérios para intervenção cirúrgica em pacientes assintomáticos são bem estabelecidos e incluem a presença de osteoporose (escore-T < -2,5 na densitometria óssea), disfunção renal, cálculos renais, calciúria elevada, hipercalcemia significativa e idade inferior a 50 anos. O tratamento definitivo para o hiperparatireoidismo primário é a paratireoidectomia, que geralmente resulta na cura da hipercalcemia e melhora da densidade óssea. A localização pré-operatória do adenoma, frequentemente realizada com SPECT com Tc-sestamibi, é crucial para o sucesso da cirurgia minimamente invasiva. O acompanhamento pós-operatório é importante para monitorar os níveis de cálcio e PTH. Para pacientes que não preenchem os critérios cirúrgicos, o manejo conservador com monitoramento e, em alguns casos, uso de cinacalcete, pode ser uma opção.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais indicações cirúrgicas para hiperparatireoidismo primário em pacientes assintomáticos?

As principais indicações incluem: cálcio sérico > 1,0 mg/dL acima do limite superior da normalidade, densitometria óssea com escore-T < -2,5 em qualquer sítio, fratura vertebral, depuração de creatinina < 60 mL/min, calciúria de 24 horas > 400 mg/dia e idade < 50 anos.

Como a densitometria óssea contribui para a decisão cirúrgica no hiperparatireoidismo?

A densitometria óssea é crucial para avaliar o impacto do excesso de PTH no esqueleto. Um escore-T menor que -2,5 em coluna lombar, colo femoral, quadril total ou rádio distal indica osteoporose e é uma indicação formal para paratireoidectomia, mesmo na ausência de outros sintomas.

Qual o papel do SPECT com Tc-sestamibi no manejo do hiperparatireoidismo?

O SPECT com Tc-sestamibi é um exame de imagem utilizado para localizar o adenoma de paratireoide hiperfuncionante antes da cirurgia. Ele ajuda a guiar a ressecção cirúrgica minimamente invasiva, identificando a glândula afetada e otimizando o procedimento.

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