CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2011
Assinale a alternativa correta em relação aos hiperosmóticos utilizados em oftalmologia:
Hiperosmóticos → ↓ volume vítreo por gradiente osmótico + ação central no hipotálamo.
Agentes hiperosmóticos como o manitol e o glicerol reduzem a PIO criando um gradiente osmótico que retira água do corpo vítreo para o compartimento intravascular.
Os agentes hiperosmóticos representam uma ferramenta terapêutica crucial no manejo de emergências oftalmológicas, como o glaucoma agudo de ângulo fechado, e no pré-operatório de cirurgias onde se deseja um olho 'mole'. O manitol, um poliol de seis carbonos, é o padrão-ouro para administração IV, enquanto o glicerol é a opção oral clássica. A compreensão de que a redução da PIO ocorre primariamente pela redução do volume vítreo, e não pela supressão do humor aquoso (papel dos betabloqueadores e inibidores da anidrase carbônica), é fundamental para a prova de título e prática clínica. Clinicamente, a escolha entre os agentes deve considerar as comorbidades do paciente. O manitol é excretado inalterado pelos rins, tornando-o perigoso em insuficiência renal grave, mas seguro em diabéticos. O glicerol, por outro lado, fornece calorias e eleva a glicemia. O conhecimento da ação hipotalâmica secundária complementa a visão fisiopatológica, sugerindo um controle central da homeostase pressórica ocular que vai além da simples osmose física.
O principal mecanismo de ação dos agentes hiperosmóticos, como o manitol (via intravenosa) e o glicerol (via oral), baseia-se na criação de um gradiente osmótico entre o plasma e os tecidos oculares. Como a barreira hemato-ocular é relativamente impermeável a essas substâncias, elas permanecem no compartimento intravascular, atraindo água do corpo vítreo para o sangue. Essa desidratação do vítreo resulta em uma redução rápida e significativa do volume intraocular total, levando à queda da pressão intraocular (PIO). Além desse efeito físico-químico direto, existe uma evidência de ação secundária no sistema nervoso central, especificamente no hipotálamo, que auxilia na regulação da pressão ocular através de mecanismos neuroendócrinos.
O manitol é administrado por via intravenosa, geralmente em concentrações de 15% a 20%, sendo preferido em situações de emergência ou quando o paciente apresenta náuseas e vômitos, comuns em crises de glaucoma agudo. Ele possui um efeito hipotensor ocular mais potente e rápido que o glicerol. Já o glicerol é administrado por via oral, em concentrações de 50% a 70%. Embora seja eficaz, o glicerol é metabolizado em glicose, o que exige cautela extrema ou contraindicação em pacientes diabéticos devido ao risco de hiperglicemia severa e cetoacidose. O manitol, por não ser metabolizado, é mais seguro para diabéticos, mas requer monitoramento rigoroso da função renal e do status volêmico, dado seu potencial de causar sobrecarga circulatória.
Diferente do que se possa pensar, os efeitos colaterais dos hiperosmóticos não são raros e podem ser graves. A rápida expansão do volume plasmático pode precipitar edema agudo de pulmão ou insuficiência cardíaca congestiva em pacientes com reserva cardiovascular limitada. Além disso, a diurese osmótica pode levar a desequilíbrios eletrolíticos significativos, como hiponatremia ou hipocalemia. No sistema nervoso central, a desidratação cerebral pode causar cefaleia intensa, confusão mental, tontura e, em casos extremos, hemorragia subdural por tração dos vasos meníngeos. O glicerol especificamente pode causar náuseas e vômitos intensos devido ao seu sabor adocicado e viscosidade, além do risco metabólico em diabéticos já mencionado.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo