HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2023
Lactente de 11 meses previamente hígido é levado ao pronto socorro com história de diarreia há 3 dias (fezes líquidas e volumosas, cerca de 8 episódios por dia), associada a febre, vômitos e anorexia. Nas últimas 24 horas estava aceitando apenas soro caseiro.Ao exame observa-se: mucosas secas, olhos encovados, turgor cutâneo normal, ávido por beber líquidos.ACV: BRNF em 2T, sem sopros, FC: 128 bpmAR: MV presentes em AHT sem RA, FR: 48 irpmAbdome: plano, flácido, indolorSNC: fontanela anterior deprimida, irritabilidade, hipertonia muscular e hiperreflexia. Qual o distúrbio eletrolítico mais provável para o caso?
Desidratação + diarreia + soro caseiro + irritabilidade/hipertonia + turgor normal → Hipernatremia.
A desidratação hipernatrêmica é caracterizada por perda de água maior que a de sódio, frequentemente agravada pela ingestão de soluções hipotônicas (como soro caseiro mal preparado) ou pela restrição hídrica. Os sinais neurológicos são proeminentes devido à desidratação cerebral.
A desidratação em lactentes, frequentemente causada por diarreia e vômitos, é uma emergência pediátrica comum. A identificação do tipo de desidratação (isonatrêmica, hiponatrêmica ou hipernatrêmica) é crucial para o manejo adequado, pois cada uma tem particularidades clínicas e terapêuticas. A hipernatremia, em particular, exige atenção especial devido ao risco de complicações neurológicas. No caso apresentado, a história de diarreia e vômitos, associada à febre, leva à desidratação. A ingestão de 'soro caseiro' pode ter contribuído para o desequilíbrio eletrolítico. Os sinais como mucosas secas, olhos encovados e fontanela deprimida indicam desidratação. No entanto, a presença de turgor cutâneo normal, irritabilidade, hipertonia muscular e hiperreflexia são sinais clássicos de desidratação hipernatrêmica, onde a perda de água é proporcionalmente maior que a de sódio, levando a um aumento da osmolaridade plasmática e desidratação celular, especialmente no cérebro. O manejo da desidratação hipernatrêmica envolve a reposição de fluidos de forma gradual e cuidadosa para evitar a queda rápida do sódio sérico, que pode causar edema cerebral. A taxa de correção do sódio não deve exceder 0,5 mEq/L/hora. A escolha do fluido e a monitorização rigorosa dos eletrólitos são essenciais. A prevenção inclui a educação sobre a preparação correta de soluções de reidratação oral e a importância da oferta de água livre em casos de diarreia.
Além dos sinais gerais de desidratação (mucosas secas, olhos encovados, fontanela deprimida), a hipernatremia se manifesta com irritabilidade, letargia, hipertonia muscular, hiperreflexia e, em casos graves, convulsões. O turgor cutâneo pode ser normal ou até elástico ('pastoso').
O soro caseiro, se preparado incorretamente com excesso de sal ou falta de açúcar, pode ter uma concentração de sódio muito alta, contribuindo para a hipernatremia. Além disso, a perda de água livre pela diarreia e febre, sem reposição adequada de água, agrava o quadro.
A principal preocupação é a correção lenta e gradual do sódio sérico para evitar o edema cerebral. A correção rápida pode causar um influxo excessivo de água para as células cerebrais, levando a edema, convulsões e danos neurológicos permanentes.
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