SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2025
Você está atendendo a uma criança cujo distúrbio hidreletrolítico foi classificado como hipernatremia bipovolêmica (desidratação do 2º grau: Na+ sérico = 168mEq/L). Com 24h de correção, o Na sérico encontra-se em 146 mEq/L, os sinais clínicos de desidratação não mais existem e restabeleceu-se a diurese. Súbito, a criança apresenta convulsões. É mais provável que estas sejam devidas, inicialmente, a:
Correção rápida de hipernatremia → edema cerebral e convulsões.
A correção muito rápida da hipernatremia, especialmente em crianças, pode levar a uma queda brusca da osmolaridade plasmática. Isso faz com que a água se mova rapidamente para o interior das células cerebrais, causando edema cerebral e, consequentemente, convulsões.
A hipernatremia em crianças, frequentemente associada à desidratação, é um distúrbio hidreletrolítico grave que exige manejo cuidadoso. A correção da hipernatremia deve ser gradual para evitar complicações neurológicas. O cérebro se adapta à hipernatremia crônica acumulando solutos osmóticos (osmóis idiogênicos) para equilibrar a osmolaridade entre os compartimentos intra e extracelular. A correção muito rápida da hipernatremia (redução do sódio sérico em mais de 10-12 mEq/L em 24 horas ou mais de 0,5 mEq/L/hora) é extremamente perigosa. Quando o sódio plasmático cai rapidamente, o gradiente osmótico é invertido: o plasma fica hiposmolar em relação ao líquido intracelular cerebral. Isso causa um influxo rápido de água para as células cerebrais, resultando em edema cerebral. Este edema pode levar a sintomas neurológicos graves, como letargia, irritabilidade, vômitos, e, mais dramaticamente, convulsões e coma. No caso apresentado, o sódio sérico caiu de 168 mEq/L para 146 mEq/L em 24 horas, uma redução de 22 mEq/L, o que é uma correção excessivamente rápida. As convulsões são a manifestação mais provável do edema cerebral induzido por essa correção abrupta. O residente deve estar ciente da importância de monitorar rigorosamente o sódio sérico e ajustar a velocidade de infusão para garantir uma correção segura e gradual.
A taxa ideal de correção da hipernatremia em crianças é de 10 a 12 mEq/L em 24 horas, não excedendo 0,5 mEq/L/hora, para evitar o risco de edema cerebral.
A correção rápida diminui a osmolaridade plasmática mais rapidamente do que a osmolaridade intracelular cerebral. Isso cria um gradiente osmótico que puxa água para dentro das células cerebrais, causando inchaço e edema.
Sinais de alerta incluem convulsões, alteração do nível de consciência, vômitos, cefaleia e bradicardia, indicando a necessidade de reavaliação imediata do tratamento.
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