Hipernatremia Aguda: Diagnóstico e Manejo em Idosos

UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2020

Enunciado

Paciente mulher, 71 anos, hipertensa, diabética tipo 2, com infecção respiratória em tratamento há uma semana. Foi internada há 6 horas com queixa de cefaleia, rebaixamento do nível de consciência e crise convulsiva. Apresentava PA = 100/75mmHg, FC = 110 bat/min. Realizou tomografia computadorizada de crânio normal, sendo que o sódio plasmático era de 155 mEq/L. Em relação ao caso clínico, assinalar a opção CORRETA.

Alternativas

  1. A) A paciente deve ser tratada com reposição de água livre e uso de diuréticos.
  2. B) Para o adequado tratamento desta paciente, é obrigatório a realização da osmolaridade urinaria.
  3. C) A osmolaridade urinária baixa (< 800 mOsmol/Kg, afasta a possibilidade de Diabetes Insípidus.
  4. D) Em caso de osmolaridade urinária baixo (< 800 mOsmol/Kg e Sódio urinário baixo (< 100 mEq/L, é indicativo de perdas extra renais ou sobrecarga de sódio.
  5. E) No tratamento desta paciente, fazer expansão volêmica com solução fisiológica conforme déficit de água livre e ajustar correção do sódio na velocidade de 0,5mEq/L.

Pérola Clínica

Hipernatremia + hipovolemia → Reposição volêmica com SF 0,9% + correção lenta de sódio (0,5 mEq/L/h).

Resumo-Chave

A hipernatremia aguda com sintomas neurológicos graves (convulsão, rebaixamento de consciência) exige correção mais rápida, mas ainda cautelosa, para evitar edema cerebral. Em pacientes hipovolêmicos, a prioridade é restaurar o volume intravascular com solução isotônica, para depois corrigir o sódio lentamente.

Contexto Educacional

A hipernatremia, definida como sódio plasmático > 145 mEq/L, é um distúrbio hidroeletrolítico comum, especialmente em pacientes idosos e hospitalizados. Sua importância clínica reside na associação com alta morbidade e mortalidade, principalmente devido às disfunções neurológicas que pode causar, como rebaixamento do nível de consciência, letargia, convulsões e coma. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais. A fisiopatologia da hipernatremia envolve um desequilíbrio entre a ingestão e a perda de água, resultando em um déficit de água livre em relação ao sódio corporal total. O diagnóstico requer a avaliação do sódio plasmático e da osmolaridade sérica, além da investigação da causa subjacente, que pode incluir perdas renais ou extrarrenais de água, ou ingestão excessiva de sódio. A avaliação do estado volêmico é fundamental para guiar a terapia. O tratamento da hipernatremia visa corrigir o déficit de água livre e tratar a causa subjacente. A velocidade de correção deve ser lenta e gradual (0,5 mEq/L/h, máximo 10-12 mEq/L/dia) para evitar complicações neurológicas graves, como edema cerebral. Em pacientes hipovolêmicos, a expansão volêmica com solução isotônica (ex: SF 0,9%) é a primeira etapa, seguida pela administração de água livre (oral ou IV com SG 5%). O monitoramento rigoroso do sódio sérico e do estado clínico é imperativo.

Perguntas Frequentes

Quais são as causas mais comuns de hipernatremia em idosos?

Em idosos, as causas mais comuns incluem ingestão inadequada de água (especialmente em pacientes com alteração do nível de consciência ou dificuldade de acesso à água), perdas insensíveis aumentadas (febre, taquipneia), diarreia, uso de diuréticos osmóticos e diabetes insipidus.

Qual a velocidade ideal de correção do sódio na hipernatremia?

A velocidade ideal de correção do sódio na hipernatremia é de 0,5 mEq/L/h, não excedendo 10-12 mEq/L nas primeiras 24 horas e 18 mEq/L nas primeiras 48 horas, para evitar edema cerebral ou mielinólise osmótica.

Como o estado volêmico do paciente influencia o tratamento da hipernatremia?

O estado volêmico é crucial. Em pacientes hipovolêmicos, a prioridade inicial é a reposição de volume com soluções isotônicas (como SF 0,9%) para estabilizar a hemodinâmica, antes de focar na correção da hipernatremia com água livre.

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