Hipernatremia em TCE: Manejo e Tratamento Urgente

HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um escolar de 10 anos, com histórico de traumatismo craniano, encontra-se internado em Unidade de terapia intensiva para monitorização neurológica. Há cerca de 8 horas, iniciou quadro de irritabilidade que progrediu para espasmos e convulsão. Ao exame mostra sinais de desidratação e o nível de sódio sérico é de 163 mEq/L. A intervenção imediata que deve ser priorizada para esse paciente é:

Alternativas

  1. A) Infusão de grande volume de água por via oral.
  2. B) Prescrição rápida de solução glicosada a 5%.
  3. C) Administração de desmopressina.
  4. D) Suspensão imediata de todos os fluidos IV.
  5. E) Intervenção neurocirúrgica.

Pérola Clínica

Hipernatremia + TCE + poliúria/desidratação → suspeitar Diabetes Insipidus Central → Desmopressina.

Resumo-Chave

Em um paciente com traumatismo craniano e hipernatremia grave (Na > 160 mEq/L) associada a sintomas neurológicos e sinais de desidratação, deve-se considerar a possibilidade de Diabetes Insipidus Central. A intervenção imediata prioritária é a administração de desmopressina para controlar a perda de água livre e iniciar a correção gradual do sódio.

Contexto Educacional

A hipernatremia é um distúrbio hidroeletrolítico comum e potencialmente grave em pacientes internados, especialmente aqueles com lesões neurológicas como o traumatismo craniano (TCE). A elevação do sódio sérico acima de 145 mEq/L, particularmente quando acima de 160 mEq/L e associada a sintomas neurológicos como irritabilidade, espasmos e convulsões, exige intervenção imediata e cuidadosa. Em pacientes com TCE, uma causa frequente de hipernatremia é o Diabetes Insipidus Central (DIC), resultante de lesão hipotalâmica-hipofisária, que leva à deficiência de vasopressina e à perda excessiva de água livre. O diagnóstico de DIC é sugerido por poliúria (diurese > 3-4 mL/kg/h) e hipernatremia com osmolaridade urinária baixa. A intervenção imediata prioritária para controlar a perda de água livre e iniciar a correção do sódio é a administração de desmopressina, um análogo sintético da vasopressina. Além disso, a reposição de água livre (geralmente com soro glicosado a 5% ou água oral, se possível) deve ser iniciada, mas com cautela. A correção da hipernatremia deve ser gradual para evitar complicações neurológicas graves, como o edema cerebral, que pode ocorrer se o sódio for reduzido muito rapidamente. A taxa ideal de correção é de 0,5 a 1 mEq/L/hora, não excedendo 10-12 mEq/L nas primeiras 24 horas. O monitoramento rigoroso do sódio sérico, balanço hídrico e estado neurológico é fundamental para um manejo seguro e eficaz.

Perguntas Frequentes

Quais são as causas comuns de hipernatremia em pacientes com TCE?

Em pacientes com TCE, a hipernatremia pode ser causada por perda excessiva de água livre (como no Diabetes Insipidus Central), administração de soluções hipertônicas ou perdas insensíveis aumentadas.

Qual a conduta inicial para hipernatremia grave com sintomas neurológicos?

A conduta inicial envolve a identificação da causa. Se houver suspeita de Diabetes Insipidus Central (poliúria, desidratação), a desmopressina é a intervenção prioritária, juntamente com a reposição de água livre.

Qual a velocidade ideal de correção da hipernatremia?

A correção da hipernatremia deve ser gradual, com uma taxa de redução do sódio sérico de aproximadamente 0,5 a 1 mEq/L/hora, não excedendo 10-12 mEq/L nas primeiras 24 horas, para evitar edema cerebral.

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