Hipernatremia: Manejo e Reposição Volêmica Correta

FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2021

Enunciado

Distúrbios hídricos e eletrolíticos costumam ocorrer em mulheres com morbidade obstétrica ou que se submetem a uma cirurgia ginecológica de grande proporção. No tocante às suas peculiaridades, é CORRETO afirmar:

Alternativas

  1. A) O manejo da hipernatremia é geralmente direcionado para a reposição do volume com cristaloide.
  2. B) A hipernatremia se constitui na concentração sérica de sódio superior a 135 mEq/L e implica na deficiência relativa de água livre.
  3. C) A hipercalemia se constitui no nível de potássio sérico maior do que 5,0 mEq/L, não sendo fatal, além de ser causada, por exemplo, pela redistribuição celular associada à acidose.
  4. D) A hipercalcemia é definida como nível de cálcio sérico total acima de 10,5 mg/dL ou nível de cálcio sérico ionizado acima de 1,3 mmol/L e seus achados clínicos não são específicos.

Pérola Clínica

Manejo da hipernatremia hipovolêmica → Iniciar com cristaloide isotônico para volume, depois água livre.

Resumo-Chave

A hipernatremia é um distúrbio do balanço hídrico que implica em deficiência de água livre em relação ao sódio. O manejo depende do estado volêmico do paciente. Em casos de hipernatremia hipovolêmica, a prioridade inicial é restaurar o volume circulante com cristaloides isotônicos (como soro fisiológico 0,9%), antes de iniciar a correção do déficit de água livre com soluções hipotônicas.

Contexto Educacional

Distúrbios hidroeletrolíticos são comuns em pacientes cirúrgicas e obstétricas, e a hipernatremia é um desequilíbrio que exige atenção especial. Definida como uma concentração sérica de sódio acima de 145 mEq/L, a hipernatremia reflete um déficit de água livre em relação ao sódio corporal total. Suas causas são variadas, incluindo perdas excessivas de água (renais ou extrarrenais), ingestão inadequada de água ou, menos comumente, ganho excessivo de sódio. A fisiopatologia da hipernatremia envolve o movimento osmótico da água para fora das células, levando à desidratação celular, especialmente das células cerebrais, o que pode causar sintomas neurológicos como letargia, confusão, convulsões e coma. O diagnóstico é laboratorial, mas a avaliação do estado volêmico do paciente é fundamental para guiar o tratamento. A hipernatremia pode ser hipovolêmica, euvolêmica ou hipervolêmica, e cada tipo exige uma abordagem terapêutica específica. O manejo da hipernatremia é direcionado principalmente à reposição do déficit de água livre. No entanto, em pacientes com hipernatremia hipovolêmica, a prioridade inicial é a restauração do volume intravascular com soluções cristaloides isotônicas, como o soro fisiológico a 0,9%. Após a estabilização hemodinâmica, a correção do déficit de água livre é realizada com soluções hipotônicas (como soro glicosado 5% ou soro fisiológico a 0,45%), de forma gradual e monitorada, para evitar complicações como o edema cerebral. A velocidade de correção é crucial para prevenir danos neurológicos.

Perguntas Frequentes

Qual a definição de hipernatremia e suas principais causas?

Hipernatremia é definida como sódio sérico > 145 mEq/L e geralmente resulta de um déficit de água livre em relação ao sódio, causado por perdas de água (diabetes insipidus, perdas gastrointestinais, febre) ou ingestão insuficiente de água.

Como o estado volêmico influencia o tratamento da hipernatremia?

O estado volêmico é crucial: em hipernatremia hipovolêmica, a prioridade é restaurar o volume com soro fisiológico 0,9%; em euvolêmica, a correção é com água livre (D5W); em hipervolêmica, diuréticos e água livre.

Qual a velocidade ideal para corrigir a hipernatremia?

A correção da hipernatremia deve ser gradual, visando uma redução do sódio sérico de no máximo 10-12 mEq/L nas primeiras 24 horas e não mais que 18 mEq/L em 48 horas, para evitar edema cerebral.

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