CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2020
Criança de dois anos de idade, assintomática e sem doenças sistêmicas, foi submetida a avaliação oftalmológica de rotina. Ao exame refratométrico sob cicloplegia, encontrou-se +2,00 DE no olho direito e +2,50 DE no olho esquerdo, com restante do exame oftalmológico normal. Entre as alternativas abaixo, qual apresenta a conduta mais adequada?
Hipermetropia baixa (+2.00) em criança de 2 anos assintomática = Fisiológica → Não prescrever óculos.
Crianças pequenas possuem reserva acomodativa e estão em processo de emetropização; hipermetropias baixas sem estrabismo não devem ser corrigidas.
A conduta na hipermetropia infantil baseia-se no binômio: magnitude do erro e presença de desvios. Se a criança é ortofórica e o grau é moderado/baixo, a observação é a regra. A prescrição torna-se obrigatória se houver esotropia acomodativa associada, anisometropia significativa (risco de ambliopia) ou se o grau for tão elevado que impeça o desenvolvimento de atividades normais ou cause astenopia importante.
A emetropização é um mecanismo biológico coordenado onde os componentes ópticos do olho (poder da córnea, cristalino e comprimento axial) se ajustam durante o crescimento para que a imagem se foque na retina sem esforço. A maioria das crianças nasce hipermetrope e, à medida que o olho cresce, essa hipermetropia tende a diminuir. Intervir com óculos em graus baixos pode interromper esse feedback visual necessário para o crescimento ocular correto.
Para uma criança de 2 anos assintomática e sem estrabismo (ortofórica), a Academia Americana de Oftalmologia sugere considerar prescrição apenas se a hipermetropia for superior a +4.50 ou +5.00 dioptrias esféricas. Valores em torno de +2.00 ou +2.50 são considerados normais para a idade e são facilmente compensados pela acomodação natural da criança, que possui uma amplitude muito elevada nessa fase da vida.
Crianças têm um tônus do músculo ciliar muito forte, o que lhes permite acomodar intensamente. Sem o uso de colírios cicloplégicos (como ciclopentolato ou atropina), a acomodação ativa pode 'esconder' a hipermetropia real ou até simular uma miopia (pseudomiopia). A cicloplegia paralisa temporariamente o músculo ciliar, permitindo medir a refração total e estática do olho, fundamental para o diagnóstico correto.
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