UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026
Homem, 74 anos de idade, com DRC estágio 5 não dialítico (TFG estimada = 9 mL/min/1,73m²), apresenta-se no PS com sonolência progressiva, náuseas, fraqueza muscular e episódios de vômitos nos últimos dois dias. Faz uso regular de um suplemento de magnésio (500 mg/dia) prescrito para cãibras. Exame físico: PA = 95x60 mmHg, FC = 48 bpm; ausculta cardíaca sem sopros; reflexos profundos diminuídos. ECG: intervalo PR prolongado e QRS discretamente alargado. Exame laboratorial: magnésio sérico = 8,6 mg/dL (VR = 1,7-2,2 mg/dL). Além da suspensão do suplemento, qual é a conduta mais adequada neste momento?
Hipermagnesemia grave + DRC Estágio 5 → Gluconato de Cálcio IV + Hemodiálise imediata.
O cálcio antagoniza os efeitos neuromusculares e cardíacos do magnésio, enquanto a hemodiálise é o método definitivo de remoção em pacientes com falência renal grave.
A hipermagnesemia é uma condição rara, geralmente iatrogênica em pacientes com insuficiência renal que utilizam antiácidos ou suplementos contendo magnésio. O quadro clínico é dominado pela depressão do sistema nervoso central e bloqueio neuromuscular. O diagnóstico é laboratorial, mas a suspeita clínica deve ocorrer em pacientes com bradicardia, hipotensão e hiporreflexia. O tratamento imediato foca na estabilização cardíaca com cálcio intravenoso. Em pacientes com função renal preservada, a expansão volêmica com salina e diuréticos de alça pode ser tentada para aumentar a excreção renal. Contudo, na DRC avançada (TFG < 30 mL/min), a remoção extracorpórea via hemodiálise torna-se mandatória para evitar o óbito por parada cardiorrespiratória.
Os sinais progridem conforme os níveis séricos: perda de reflexos tendinosos profundos (7-10 mg/dL), paralisia muscular e depressão respiratória (10-13 mg/dL), e bloqueio cardíaco ou parada assistólica (>15 mg/dL). No ECG, observa-se prolongamento do intervalo PR, alargamento do QRS e aumento do intervalo QT.
O cálcio atua como um antagonista direto dos efeitos fisiológicos do magnésio na membrana celular, especialmente no miocárdio e na junção neuromuscular. Ele estabiliza a membrana e reverte temporariamente a toxicidade, mas não remove o magnésio do organismo.
A hemodiálise é o tratamento de escolha para pacientes com hipermagnesemia grave (geralmente > 8 mg/dL) que apresentam disfunção renal significativa (DRC estágios 4 ou 5) ou sintomas neurológicos/cardiovasculares graves, pois a excreção renal está gravemente comprometida.
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