Hiperglicemia por Corticoide: Manejo com Insulina NPH

UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 61 anos com antecedente de diabetes foi internada no hospital para tratamento de doença pulmonar obstrutiva crônica descompensada. Como prescrição de medicamentos foram incluídos piperacilina tazobactam 4,5 g 6/6h e prednisona 60 mg pela manhã, além dos broncodilatadores. A paciente foi mantida em dieta oral para diabéticos. Nas últimas 24h, os controles de glicemia capilar foram: 6h = 182; 12h = 211; 17h = 289; 22h = 257. A melhor alternativa terapêutica para controle da hiperglicemia dessa paciente é

Alternativas

  1. A) sitagliptina.
  2. B) insulina regular conforme glicemia capilar.
  3. C) metformina.
  4. D) insulina NPH aplicada pela manhã.

Pérola Clínica

Hiperglicemia por corticoide (prednisona) em internado → Insulina NPH matinal para cobrir pico glicêmico.

Resumo-Chave

A prednisona, especialmente em dose alta e matinal, causa hiperglicemia pós-prandial e no final da tarde/noite. A insulina NPH, de ação intermediária, aplicada pela manhã, tem seu pico de ação coincidindo com o pico de hiperglicemia induzida pelo corticoide, sendo a melhor opção para controle basal nesse cenário.

Contexto Educacional

A hiperglicemia em pacientes internados, especialmente aqueles com diabetes pré-existente e em uso de glicocorticoides como a prednisona, é um desafio clínico comum. Os glicocorticoides elevam a glicemia ao aumentar a resistência à insulina e a gliconeogênese hepática. Quando administrados em dose única matinal, como no caso da paciente com DPOC descompensada, o pico de ação do corticoide leva a uma elevação da glicemia mais pronunciada no período da tarde e noite. O manejo da hiperglicemia hospitalar requer uma abordagem cuidadosa para evitar complicações. Insulinas de ação rápida (regular) em esquema de correção são úteis para picos agudos, mas não fornecem cobertura basal adequada para o efeito prolongado do corticoide. Agentes orais como metformina e sitagliptina geralmente não são potentes o suficiente para controlar a hiperglicemia induzida por altas doses de corticoides em pacientes agudamente enfermos. A insulina NPH, uma insulina de ação intermediária, quando administrada pela manhã, tem seu pico de ação coincidindo com o período de maior hiperglicemia induzida pelo corticoide (tarde/noite), sendo, portanto, a melhor estratégia para fornecer uma cobertura basal e controlar os níveis glicêmicos de forma mais estável nesse cenário. É crucial monitorar a glicemia capilar e ajustar as doses conforme a resposta do paciente.

Perguntas Frequentes

Por que a prednisona causa hiperglicemia e qual o padrão?

A prednisona aumenta a resistência à insulina e a produção hepática de glicose. Quando administrada pela manhã, causa picos glicêmicos mais acentuados no período da tarde e noite, devido à sua farmacocinética.

Qual o papel da insulina NPH no controle da hiperglicemia induzida por corticoide?

A insulina NPH, com seu pico de ação intermediário, quando aplicada pela manhã, coincide com o período de maior hiperglicemia induzida pelo corticoide, oferecendo uma cobertura basal eficaz para o controle glicêmico.

Quais outras opções terapêuticas para hiperglicemia hospitalar e por que não seriam as melhores neste caso?

Metformina e sitagliptina são opções para diabetes ambulatorial, mas geralmente não são ideais para hiperglicemia aguda e severa em pacientes internados, especialmente com uso de corticoides. Insulina regular em esquema de correção é complementar, mas não oferece cobertura basal adequada para o efeito do corticoide.

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