Manejo da Hiperglicemia em Pacientes Internados

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2023

Enunciado

Em relação ao manejo da hiperglicemia em pacientes internados, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A metformina poderá ser mantida nos pacientes internados, independentemente do motivo do internamento.
  2. B) Os inibidores de SGLT-2, apesar de aumentarem o risco de acidose lática, poderão ser mantidos nos pacientes internados com quadros infecciosos.
  3. C) Os inibidores da DPP4 são uma opção para controle glicêmico em pacientes selecionados, e, nos casos em que o paciente faça seu uso ambulatorialmente, poderão ser mantidos, salvo em situações em que o paciente não esteja mantendo ingesta via oral.
  4. D) Os pacientes que fazem uso regular de insulinas de ação lenta (glargina, detemir ou degludec) deverão ter seus esquemas trocados para NPH em ambiente hospitalar.

Pérola Clínica

Internação → Suspender Metformina/SGLT2; DPP4 pode ser mantido se houver ingesta oral.

Resumo-Chave

A maioria dos antidiabéticos orais deve ser suspensa na internação por riscos de acidose ou instabilidade hemodinâmica, exceto DPP4-i em casos selecionados.

Contexto Educacional

O controle glicêmico hospitalar visa manter a glicemia entre 140-180 mg/dL na maioria dos pacientes. O uso de insulina basal-bolus é o esquema preferencial para pacientes com diabetes tipo 2, enquanto a escala móvel isolada (sliding scale) é desencorajada por não prevenir a hiperglicemia. A manutenção de alguns antidiabéticos orais, como os inibidores da DPP4, é uma tendência em protocolos de 'desintensificação' para pacientes estáveis, mas a segurança do paciente e a prevenção de hipoglicemia e acidose permanecem como as prioridades máximas da equipe assistencial.

Perguntas Frequentes

Por que suspender a metformina durante a internação?

A metformina deve ser suspensa na maioria dos pacientes internados devido ao risco de acidose lática, especialmente em situações de instabilidade hemodinâmica, insuficiência renal aguda, hipóxia tecidual ou uso de contrastes radiológicos. Embora seja segura ambulatorialmente, o ambiente hospitalar predispõe a complicações agudas que aumentam a toxicidade do fármaco. A prioridade no hospital é o controle dinâmico com insulina, que oferece maior segurança e previsibilidade frente às mudanças no estado clínico do paciente.

Qual o papel dos inibidores da DPP4 no ambiente hospitalar?

Os inibidores da dipeptidil peptidase-4 (DPP4), como a sitagliptina e vildagliptina, podem ser mantidos ou iniciados em pacientes internados com quadros leves a moderados, desde que mantenham ingesta oral adequada e não apresentem contraindicações específicas (como pancreatite). Eles são úteis por apresentarem baixo risco de hipoglicemia e serem bem tolerados, servindo como adjuvantes ou alternativa à insulina em pacientes com diabetes tipo 2 estável na enfermaria, simplificando o manejo.

Por que os inibidores de SGLT2 são evitados no hospital?

Os inibidores do cotransportador sódio-glicose 2 (SGLT2) aumentam o risco de desidratação, infecções urinárias e, mais gravemente, acidose cetótica euglicêmica em pacientes agudamente enfermos ou em jejum. Por isso, as diretrizes recomendam sua suspensão imediata na admissão hospitalar, especialmente em casos cirúrgicos ou infecciosos graves, para evitar complicações metabólicas de difícil diagnóstico precoce, já que a glicemia pode estar normal mesmo em acidose.

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