Hiperglicemia Hospitalar: Diferenciando DM e Estresse

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 45 anos, com obesidade, foi hospitalizado por infecção por covid-19. Vinha recebendo, desde o dia da internação, dexametasona (6 mg/dia) e oxigênio por cateter nasal (5 l/min). Apresentou glicemias capilares > 200 mg/dl nos dois primeiros dias, tendo sido iniciada administração de insulina em esquema basal e em bolo. Desconhecia o diagnóstico prévio de diabetes melito (DM). Assinale a assertiva correta sobre hiperglicemia.

Alternativas

  1. A) O diagnóstico de DM já está confirmado, pois o paciente apresenta duas glicemias capilares ao acaso > 200 mg/dl.
  2. B) Duas glicemias de jejum > 126 mg/dl durante a internação confirmam o diagnóstico de DM prévio à hospitalização.
  3. C) Hemoglobina glicada (HbA1c) < 6,5% confirma o diagnóstico de hiperglicemia de estresse.
  4. D) Não é possível diferenciar DM prévio de hiperglicemia de estresse, tendo como base os resultados de glicemias ou HbA1c obtidos durante a internação.

Pérola Clínica

HbA1c < 6,5% em hiperglicemia hospitalar sugere hiperglicemia de estresse, não DM prévio.

Resumo-Chave

Em pacientes hospitalizados com hiperglicemia, uma HbA1c < 6,5% é um forte indicativo de hiperglicemia de estresse (ou induzida por medicamentos como dexametasona), e não de um diagnóstico prévio de Diabetes Mellitus, que exigiria uma HbA1c mais elevada.

Contexto Educacional

A hiperglicemia em pacientes hospitalizados é uma condição comum e está associada a piores desfechos, independentemente de um diagnóstico prévio de Diabetes Mellitus (DM). É crucial diferenciar a hiperglicemia de estresse (transitória, induzida pela doença aguda ou medicamentos) do DM pré-existente ou recém-diagnosticado, pois o manejo e o acompanhamento pós-alta são distintos. Fatores como infecção por COVID-19 e uso de dexametasona são conhecidos por induzir ou exacerbar a hiperglicemia. A fisiopatologia da hiperglicemia de estresse envolve o aumento de hormônios contrarreguladores (cortisol, catecolaminas, glucagon) e citocinas inflamatórias, que promovem resistência à insulina e aumento da produção hepática de glicose. O diagnóstico diferencial é chave: uma HbA1c < 6,5% em um paciente com hiperglicemia durante a internação sugere hiperglicemia de estresse. Se a HbA1c for ≥ 6,5%, o diagnóstico de DM prévio ou recém-diagnosticado é mais provável. Glicemias de jejum ou casuais elevadas durante a internação, por si só, não confirmam DM prévio. O tratamento da hiperglicemia hospitalar geralmente envolve a terapia com insulina, adaptada à gravidade e às necessidades do paciente. O prognóstico melhora com o controle glicêmico adequado durante a internação. Após a alta, pacientes com hiperglicemia de estresse devem ser orientados a monitorar a glicemia e, se a hiperglicemia persistir, investigar DM. Aqueles com DM prévio ou recém-diagnosticado necessitarão de acompanhamento ambulatorial para manejo crônico.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar Diabetes Mellitus prévio de hiperglicemia de estresse em pacientes hospitalizados?

A dosagem de HbA1c é fundamental. Se a HbA1c for < 6,5%, é mais provável hiperglicemia de estresse. Se for ≥ 6,5%, sugere DM prévio ou recém-diagnosticado.

Quais fatores podem causar hiperglicemia de estresse em pacientes hospitalizados?

Infecções graves (como COVID-19), uso de glicocorticoides (dexametasona), estresse cirúrgico, trauma e outras condições agudas podem elevar a glicemia mesmo em indivíduos sem DM prévio.

Qual a conduta para hiperglicemia em pacientes hospitalizados?

O manejo geralmente envolve a administração de insulina, com esquemas basal-bolus ou em infusão contínua, visando manter a glicemia em níveis seguros e evitar complicações da hiperglicemia.

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