Hiperfunção de Oblíquos Inferiores: Diagnóstico e Versões

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 12 anos de idade apresenta estrabismo de longa data. As versões abaixo sugerem:

Alternativas

  1. A) Anisotropia em "A”
  2. B) Síndrome de Brown bilateral
  3. C) Hiperfunção de oblíquos inferiores
  4. D) Paralisia de reto lateral esquerdo

Pérola Clínica

Hiperfunção de oblíquos inferiores → Elevação excessiva do olho em adução durante as versões.

Resumo-Chave

A hiperfunção dos oblíquos inferiores é uma causa comum de desvios verticais, manifestando-se clinicamente pela elevação do olho quando este se move em direção ao nariz (adução).

Contexto Educacional

A motilidade ocular extrínseca é regida pelas leis de Sherrington e Hering. A hiperfunção de oblíquos inferiores pode ser primária ou secundária (geralmente à paralisia do oblíquo superior ipsilateral). No exame das versões, o examinador deve observar o 'overaction' do olho que aduz. Clinicamente, o paciente pode não apresentar queixas de diplopia devido à supressão em crianças, mas o desvio estético e a possível inclinação compensatória da cabeça são sinais de alerta. O tratamento cirúrgico envolve técnicas como a recessão, miotomia ou anteriorização do músculo oblíquo inferior.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a hiperfunção do oblíquo inferior?

A hiperfunção do músculo oblíquo inferior caracteriza-se clinicamente pela elevação do globo ocular quando o paciente realiza o movimento de adução (olhar para dentro). É frequentemente associada a estrabismos horizontais, como a esotropia infantil, e pode resultar em uma anisotropia em 'V', onde o desvio horizontal é mais divergente ou menos convergente no olhar para cima. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na observação das versões oculares, e o tratamento, quando indicado por desvios significativos ou torcicolo, é cirúrgico (ex: debilitamento do músculo).

Como diferenciar hiperfunção de oblíquo inferior de paralisia de IV par?

Embora ambas possam apresentar elevação em adução, a paralisia do IV par (nervo troclear), que inerva o oblíquo superior, apresenta o teste de Bielschowsky positivo (aumento do desvio vertical com a inclinação da cabeça para o lado da lesão). Na hiperfunção primária do oblíquo inferior, o teste de Bielschowsky costuma ser negativo. Além disso, a paralisia do IV par frequentemente apresenta uma torção ocular (excliclotorção) mais pronunciada e diplopia súbita em adultos, enquanto a hiperfunção de oblíquos inferiores em crianças costuma ser compensada por mecanismos sensoriais.

Qual a relação entre hiperfunção de oblíquos e anisotropia em V?

A anisotropia em 'V' ocorre quando há uma diferença na magnitude do desvio horizontal entre o olhar para cima e o olhar para baixo (geralmente > 15 dioptrias prismáticas), sendo mais divergente para cima. Como o oblíquo inferior tem uma ação secundária de abdução que é mais forte na posição de olhar para cima, sua hiperfunção promove essa divergência superior, caracterizando o padrão em 'V'. Identificar esse padrão é crucial para o planejamento cirúrgico do estrabismo, pois pode exigir o enfraquecimento dos oblíquos inferiores simultaneamente à correção dos músculos retos horizontais.

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