CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2010
Ao realizar versões para teste de retos horizontais, a paciente na foto apresentou sinal de:
Elevação excessiva do olho em adução → Hiperfunção do músculo oblíquo inferior.
A hiperfunção do oblíquo inferior é identificada clinicamente pela hipertropia que se acentua quando o olho realiza o movimento de adução (olhar para o lado oposto).
O músculo oblíquo inferior tem como funções principais a extorsão, elevação e abdução. Sua ação de elevação é máxima quando o olho está em adução, pois o eixo visual se alinha com a direção de tração do músculo. Por isso, qualquer hiperfunção se torna evidente nessa posição. Na prática clínica, a identificação bilateral desse sinal é fundamental para o planejamento cirúrgico do estrabismo, muitas vezes exigindo o enfraquecimento desses músculos (miectomia, recessão ou anteriorização) para estabilizar o desvio vertical e melhorar o resultado estético e funcional.
Durante o teste de versões (movimentos binoculares conjugados), solicita-se que o paciente olhe para as posições laterais. A hiperfunção do oblíquo inferior manifesta-se como uma elevação exagerada do olho que está em adução (olhando para o nariz). É graduada de +1 a +4 dependendo da intensidade da elevação vertical observada.
A hiperfunção primária ocorre sem uma causa óbvia de paralisia muscular, frequentemente associada a esotropias infantis. A hiperfunção secundária ocorre devido à paralisia do seu músculo antagonista ipsilateral (oblíquo superior) ou do seu músculo jugo contralateral (reto superior), seguindo a Lei de Hering e a Lei de Sherrington.
A hiperfunção de oblíquos inferiores é comumente vista em pacientes com esotropia congênita/infantil, podendo surgir meses ou anos após o alinhamento inicial dos eixos visuais. Também pode estar associada ao Desvio Vertical Dissociado (DVD) e a síndromes em 'V' (onde a divergência aumenta no olhar para cima).
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