HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2023
Paciente de 52 anos procura consulta médica para “check-up”. Refere que está preocupado pois seu tio morreu recentemente de infarto agudo do miocárdio aos 58 anos. No momento o paciente não pratica atividade física e possui uma dieta hipercalórica. Seu IMC é 36 kg/m² e sua circunferência abdominal 123cm. Sua pressão arterial é de 138x72 mmHg. Seu hemograma, TGO, TGP, Creatinina, Ureia e eletrólitos estão dentro da normalidade. Porém, seu perfil lipídico revela: LDL 196 mg/dL HDL32 mg/dL e Triglicerídeos de 202 mg/dL. A dosagem sérica de ferritina do paciente apresenta um valor de 863ng/mL com um índice de saturação de Transferrina de 31. Qual a orientação adequada para o paciente?
Ferritina ↑ com Saturação de Transferrina normal (<45%) → Pensar em Síndrome Metabólica/Inflamação.
A ferritina é uma proteína de fase aguda; sua elevação com saturação de transferrina normal em pacientes obesos sugere inflamação sistêmica (Síndrome Metabólica).
A hiperferritinemia é um achado frequente na prática clínica e muitas vezes não reflete sobrecarga de ferro. O paciente do caso apresenta múltiplos critérios de Síndrome Metabólica (obesidade central, IMC elevado, dislipidemia). Nestes casos, a ferritina elevada com Saturação de Transferrina normal (31%) é característica da 'Síndrome de Sobrecarga de Ferro da Síndrome Metabólica'. A ferritina elevada funciona aqui como um marcador inflamatório e de esteatose hepática. A investigação de hemocromatose hereditária (mutação C282Y) é desnecessária se o IST for inferior a 45%, economizando recursos e evitando procedimentos invasivos desnecessários. O foco terapêutico deve ser a mudança de estilo de vida para tratar a causa metabólica subjacente.
A suspeita deve ocorrer quando há elevação persistente da ferritina acompanhada de um Índice de Saturação de Transferrina (IST) elevado, geralmente >45% em mulheres e >50% em homens. Sem o IST elevado, a probabilidade de hemocromatose clássica (gene HFE) é muito baixa.
A ferritina atua como um reagente de fase aguda. Na síndrome metabólica e na doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), existe um estado inflamatório crônico de baixa intensidade que estimula a síntese hepática de ferritina, mesmo sem sobrecarga real de ferro nos tecidos.
A conduta foca no tratamento da causa base: perda de peso, controle do diabetes, manejo da dislipidemia e atividade física. A biópsia hepática ou RM para quantificação de ferro só são indicadas se houver dúvida diagnóstica ou IST persistentemente elevado.
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