UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Homem de 55 anos, obeso grau III, esteatohepatite não alcoolica, é encaminhado devido a hiperferritinemia encontrada em exame de rotina (1650ng/mL). TIBC 350ug/dL e ferro sérico 120ug/dL. Sobre este caso, avalie as asserções seguintes e assinale a alternativa correta:I. Trata-se de um caso de sobrecarga de ferro, provável hemocromatoseII. Obesidade central e esteatohepatite não alcoolica são causas muito comuns de hiperferritinemiaIII. Não há evidência de sobrecarga de ferro neste caso
Hiperferritinemia isolada com saturação de transferrina normal/baixa → pensar em inflamação/síndrome metabólica, não sobrecarga de ferro.
A hiperferritinemia é um achado comum e inespecífico, podendo ser um reagente de fase aguda. Em pacientes com obesidade e esteatohepatite não alcoólica (NASH), a ferritina pode estar elevada devido à inflamação crônica associada à síndrome metabólica, mesmo sem sobrecarga de ferro. A saturação de transferrina normal (abaixo de 45-50%) e o TIBC normal/alto afastam o diagnóstico de hemocromatose primária.
A hiperferritinemia, definida por níveis elevados de ferritina sérica, é um achado laboratorial comum, mas que exige uma investigação cuidadosa, pois a ferritina é tanto um marcador dos estoques de ferro quanto um reagente de fase aguda. Sua elevação pode indicar sobrecarga de ferro (como na hemocromatose) ou ser um marcador de inflamação, infecção, doença hepática, síndrome metabólica ou neoplasias. Para diferenciar a sobrecarga de ferro de outras causas de hiperferritinemia, é crucial avaliar outros parâmetros do metabolismo do ferro, como o ferro sérico, a capacidade total de ligação do ferro (TIBC) e, principalmente, a saturação de transferrina. Na hemocromatose hereditária, a saturação de transferrina é tipicamente elevada (geralmente >45% em homens e >40% em mulheres), mesmo antes da ferritina atingir níveis muito altos. O TIBC tende a ser baixo na sobrecarga de ferro. No caso apresentado, o paciente possui obesidade grau III e esteatohepatite não alcoólica (NASH), condições que são causas muito comuns de hiperferritinemia devido ao estado inflamatório crônico associado à síndrome metabólica. A saturação de transferrina de 34% (120/350) está dentro dos limites normais, afastando a sobrecarga de ferro significativa e a hemocromatose primária. Portanto, a hiperferritinemia neste paciente é mais provável ser reacional à inflamação crônica da NASH e obesidade, e não há evidência de sobrecarga de ferro.
As causas incluem sobrecarga de ferro (hemocromatose), inflamação crônica (ferritina como reagente de fase aguda), síndrome metabólica, obesidade, esteatohepatite não alcoólica (NASH), alcoolismo, doenças hepáticas e alguns tipos de câncer.
A chave é avaliar a saturação de transferrina. Na sobrecarga de ferro (especialmente hemocromatose), a saturação de transferrina é tipicamente elevada (>45-50%). Em causas inflamatórias, a saturação de transferrina é normal ou baixa, apesar da ferritina alta.
A NASH, frequentemente associada à obesidade e síndrome metabólica, é uma causa comum de hiperferritinemia. A inflamação crônica e a disfunção metabólica levam ao aumento da produção de ferritina, sem necessariamente indicar sobrecarga de ferro.
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