SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020
Primigesta de 15 anos, com idade gestacional de 10 semanas, previamente hígida, em consulta na emergência, afirma que perdeu 5 kg desde o início da gestação e vem apresentando náuseas e vômitos após ingesta de sólido ou líquido, com piora progressiva a despeito do uso de metoclopramida 3 vezes por dia intercalado com dimenidrinato + piridoxina. Paciente se queixa também de dor epigástrica e sonolência. Exame físico com pressão arterial de 90 x 60 mmHg, pulso de 120 bpm, peso de 45kg. Traz exames mostrando cetonúria, TSH de 0,2 mU/L e creatinina de 1,6 mg/dl. Qual a conduta ideal?
Hiperemese gravídica grave: suspender VO, hidratação IV com tiamina (prevenir Wernicke), glicose, antieméticos e correção eletrolítica.
O quadro da paciente é de hiperemese gravídica grave, com sinais de desidratação (hipotensão, taquicardia, perda de peso), disfunção renal (creatinina elevada), cetonúria e alterações tireoidianas (TSH baixo, comum na hiperemese). A conduta inicial é suspender a dieta oral, iniciar hidratação venosa com tiamina (para prevenir encefalopatia de Wernicke), glicose e antieméticos, além de monitorar e corrigir eletrólitos.
A hiperemese gravídica é uma condição grave caracterizada por náuseas e vômitos persistentes e refratários que resultam em perda de peso (>5% do peso pré-gestacional), desidratação, desequilíbrio eletrolítico e cetonúria. Diferencia-se das náuseas e vômitos comuns da gravidez pela sua intensidade e pelas consequências metabólicas. A etiologia é multifatorial, com a gonadotrofina coriônica humana (hCG) e os estrogênios desempenhando papéis importantes. O diagnóstico é clínico, baseado na intensidade dos sintomas e nos achados laboratoriais, que podem incluir cetonúria, hipocalemia, hiponatremia, alcalose metabólica, elevação de enzimas hepáticas e, frequentemente, um TSH suprimido devido ao efeito tireotrófico do hCG. A creatinina elevada, como no caso, indica lesão renal aguda secundária à desidratação. O manejo inicial visa corrigir a desidratação e os distúrbios eletrolíticos, além de controlar os vômitos. A conduta ideal para a hiperemese gravídica grave inclui a suspensão da dieta oral (jejum), hidratação venosa agressiva com soro fisiológico, suplementação de tiamina (vitamina B1) antes da administração de glicose para prevenir a encefalopatia de Wernicke, glicose para combater a cetose e antieméticos potentes (ex: ondansetrona, metoclopramida). A monitorização rigorosa dos eletrólitos e a sua correção são fundamentais. A internação hospitalar é frequentemente necessária para o manejo adequado e para evitar complicações graves.
A hiperemese gravídica grave é caracterizada por vômitos persistentes e refratários, perda de peso (>5% do peso pré-gestacional), desidratação, cetonúria e distúrbios eletrolíticos ou metabólicos, como alcalose metabólica ou hipocalemia.
A tiamina é crucial para prevenir a encefalopatia de Wernicke, uma complicação neurológica grave da deficiência de tiamina, que pode ser precipitada ou agravada pela administração de glicose sem tiamina em pacientes desnutridas com vômitos persistentes.
São comuns cetonúria, hipocalemia, hiponatremia, alcalose metabólica, elevação de enzimas hepáticas e, em alguns casos, TSH baixo (hipertireoidismo transitório induzido pela gonadotrofina coriônica humana - hCG). A creatinina elevada indica lesão renal aguda por desidratação.
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